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      Penny Jordan




    AMANDO O
    HOMEM ERRADO






      Ttulo original: Best man to wed?

        Originalmente publicado em 1996.







PRLOGO




Poppy Carlton olhou para o jardim agora vazio, tentando a todo custo conter as lgrimas.
         Parecia que fora ontem que ela e seu primo Chris haviam brincado ali. Poppy era feliz, ento, nunca imaginando que, um dia, outra mulher se tornaria mais
importante na vida dele.
         Novas lgrimas rolaram. Ela as enxugou com as costas da mo.
         Fazia meses que sabia que Chris e Sally iam se casar, mas, at o dia do casamento, mantivera a iluso de que ele mudaria de idia.
         "Voc ser a prxima, Poppy", Chris dissera, rindo afetuosamente, quando ela pegara o buqu atirado por Sally.
         A prxima? Impossvel. Ela nunca se casaria. Como poderia, se acabara de perder o homem a quem amava, o nico que sempre amaria?
         Para complicar, seu outro primo, James, irmo mais velho de Chris e seu padrinho de casamento, percebera tudo.
         Sim, James sabia, e seu cinismo no a poupava. "Cresa e aparea, Poppy", ele dizia. "No daria certo. Se Chris se casasse com voc, dentro de um ano estariam
divorciados."
         Ela replicava que ele no sabia de nada. James zombava ainda mais. Por fim, ela o mandava para o inferno, declarando que o odiava.
         Mas ele, de fato, no sabia de nada. No sabia que amor de Poppy por Chris era verdadeiro, eterno.
         No, ela nunca se casaria. Nem o esforo de Sally, que manejara para que ela pegasse o buqu, alteraria esse fato.

CAPTULO I





   Vagarosamente, Poppy ajoelhou-se em frente  pequena fogueira que acabara de erguer, indiferente  umidade do cho, molhando os joelhos da cala jeans. Os fracos
raios do sol da tarde iluminavam-lhe os sedosos cabelos castanhos, mudando-os para uma cor mais clara. Com ar grave, ela riscou um fsforo e acendeu o fogo, como
se estivesse diante de uma pira funerria.
         N a verdade estava, Poppy admitiu, vendo as chamas devorarem a caixa de madeira contendo objetos e fotos, recordaes do passado.
         Erguendo-se, colocou as mos nos bolsos, para no ceder ao impulso de retirar a caixa do fogo antes que fosse totalmente consumida.
         Est consumado, pensou, fechando os olhos para no ver o smbolo de quase uma dcada de devoo e amor, destrudo pelas chamas.
         Uma brisa fria soprou, alvoroando-lhe os cabelos e atiando o fogo como um rodamoinho. Um punhado de fotografias voou para fora da fogueira, a maioria
delas carbonizadas. Apenas uma, ainda reconhecvel, mostrava o contorno de seus prprios lbios, impresso com batom levemente rosado.
         O destino parecia decretar que aquela foto no devia ser destruda e, quase sem foras, ela abaixou-se para peg-la.
         Entretanto, o vento soprou novamente, levando o rosto do amado Chris, com o beijo de batom, para fora de seu alcance. Com um gemido abafado, Poppy correu
atrs da foto, mas algum chegou antes e pegou-a.
                 Com expresso de zombaria, ele olhou primeiro para a foto e depois para Poppy.
         - James! - ela gritou com raiva, enquanto ele se aproximava, olhando para a fogueira.
                 Chris era brilhante, carinhoso, risonho e de bom gnio. James era totalmente o contrrio. Raramente sorria, pelo         menos para ela. Mesmo as
pessoas que o aprovavam, como a me de Poppy, eram obrigadas a admitir que ele         no era uma pessoa de fcil convivncia.
                 A me dela o defendia, alegando que seu gnio difcil devia-se ao fato de que, muito cedo, ficara no lugar do pai.
                 "Afinal de contas", ela dizia "James tinha apenas vinte anos quando Howard morreu, deixando-lhe a responsabilidade da famlia e dos negcios."
         Defendia-o, porque era seu sobrinho. Poppy, porm, antipatizava com ele e sabia que o sentimento era recproco. O que a indignava era que as pessoas que
conheciam os dois irmos diziam que James era o mais bonito.
         "Ele  irresistivelmente sexy", uma das garotas que trabalhava para a empresa da famlia dissera uma vez. "Aposto que, na cama, ele  uma experincia que
s acontece uma vez na vida", a moa completara, sem pudor.
         Poppy estremecera, ouvindo-a falar. Se ela soubesse quem era realmente o verdadeiro James no pensaria assim. Pessoalmente, Poppy achava que ele seria a
ltima pessoa no mundo por quem se apaixonaria. Chris era o nico capaz de preencher o vazio que havia em seu corao, em sua cama, em sua vida, enfim. .
         Fora na festa de seu dcimo segundo aniversario que ela olhara para Chris, no outro lado da mesa e se apaixonara perdidamente. Desde ento o amara, rezando
para ser amada tambm, no apenas como prima, mas como mulher. Ele nunca retribura seu amor sincero.
         Em vez disso, Chris se apaixonara pela linda e graciosa Sally. Sally, que agora era sua esposa... Sally, a quem, apesar de tudo, Poppy no conseguia odiar,
mesmo que tentasse.
         Chris e James no se pareciam muito, sendo irmos, Poppy agora conclua, olhando para James, embora os dois tivessem a mesma estatura e impressionantes
ombros largos.
         Da mesma forma que Chris, James herdara da me, italiana, a cor clara da pele, mas era mais agressivamente masculino do que o irmo. Seu olhar frio era
de gelar o sangue, a uma distncia de trs metros. Os cabelos, embora no fossem pretos, eram mais escuros do que os de Chris e brilhavam como mbar,  luz do sol.
         Poppy no era tola. Percebia que; fisicamente, qualquer mulher poderia se interessar por um homem com o biotipo de James. Ela, porm, nunca o achara atraente.
Para complicar, considerava-o genioso, frio, com um temperamento estourado, que o deixava capaz de destruir o que viesse pela frente.
         - Que diabo est acontecendo? - ele perguntou.
         Poppy olhou-o ferozmente. James ainda no olhara para a fotografia que pegara do cho. Ela tentou tom-la de sua mo, sem sucesso.
         - Mame e papai saram - informou com ar de ofendida. - Estou sozinha em casa.
         -  com voc que eu quero falar - ele declarou em tom educado.
         Poppy no pde deixar de notar que James estava imaculadamente vestido, usando um terno caro, sapatos bem engraxados e camisa branca impecvel. Qualquer
outro homem ficaria ridculo, vestido daquela maneira, junto de uma fogueira, Poppy pensou. Por que ele no ficava? E por que a fumaa insistia em ir na direo
dela e no na dele?
         A vida no era mesmo fcil.
         Seus olhos encheram-se de lgrimas, mas ela pestanejou, evitando que cassem.
         - Qual o propsito de todo esse sacrifcio, Poppy? - James perguntou. - Por acaso espera que surja o amor de Chris por voc, como uma fnix nascendo das
cinzas?
         - Claro que no - Poppy negou prontamente, fazendo-se de desentendida.
         Aquilo era tpico de James. S ele faria aquele julgamento, s ele seria capaz de acus-la to injustamente.
         - Se quer realmente saber - ela replicou com amargura -, estou fazendo o que voc me mandou, h muito tempo atrs. Estou tentando esquecer que Chris no...
nunca mais...
         Suspirou fundo para conter as lgrimas.
         - V para o inferno, James - desabafou. - Voc no tem nada a ver com isso... no tem o direito...
         - Chris  meu irmo, lembre-se. Sinto-me no dever de proteg-lo de...
         - Proteg-lo do qu? Do meu amor? - Ela riu nervosamente.
         - Seu amor! - James zombou.- Voc nem sabe o significado dessa palavra! Aos vinte e dois anos, deve se achar uma mulher madura, mas no passa de uma adolescente
perigosa, tanto para si mesma como para quem est a sua volta.
         - No sou adolescente! - Poppy negou, furiosa, sentindo o sangue subir-lhe ao rosto.
         - O modo como no controla seus sentimentos comprova isso - James observou com frieza. - Como uma adolescente, est cheia de autopiedade, em nome do suposto
amor que sente por Chris, no correspondido. Se no bastasse, no se envergonha de mostrar aos outros a sua tristeza.
         - No  verdade - Poppy rebateu. Voc...
         -  verdade, sim. Veja como se comportou na festa. Acha que ningum notou como estava se sentindo?
         - Eu no estava fazendo nada - ela protestou, dessa vez plida de raiva.
         - Estava, sim - ele confirmou. - Estava tentando fazer Chris sentir-se culpado, e todos ficarem com pena de voc. No  pena que voc merece, mas desprezo.
Se realmente amasse Chris, colocaria a felicidade dele em primeiro lugar.
         - Voc no tem o direito de falar assim comigo. No faz a mnima idia de como me sinto, ou...
         Poppy calou-se, quando James gargalhou. O riso sarcstico ecoou no ar da tarde.
         - No fao idia, Poppy? A cidade inteira sabe!
         Ela ficou muda, olhando-o.
         - Nada a dizer? - ele provocou.
         Poppy respirou fundo. As pessoas sabiam de seus sentimentos, mas no que ela os houvesse demonstrado, como James dissera.
         Acontecia que ela era muito jovem, quando se apaixonara por Chris e, com o tempo, todos ficaram sabendo. Mas tambm era verdade que nunca fizera nada para
manipular os sentimentos dele.
         Poppy lamentava, naturalmente, que as pessoas soubessem de seu amor por Chris, embora sempre tivesse sido discreta. Quando ele e Sally anunciaram oficialmente
o noivado, ela fizera um voto secreto, pedindo que, de alguma maneira, eles desmanchassem o compromisso.
         Certo, no fora bem-sucedida, mas pelo menos tentara. Teria sido mais fcil suportar, se soubesse que Sally e Chris no estavam realmente apaixonados. Mesmo
sabendo que o perdera para sempre, continuava a sentir em seu corao uma dor dilacerante.
         E agora, ali estava James, deliberadamente fazendo a dor piorar.
         - Como me sinto... no  da sua conta - ela conseguiu dizer.
         - No? - James olhou-a com ironia. - Bem, ento oua o que vim lhe dizer. Como tradutora-intrprete de nossa empresa, est designada para ir  conveno
internacional, na Itlia, na prxima quarta-feira.
         - Uau! - De repente, Poppy vibrou com a notcia. Meses antes, quando a conveno fora agendada, ela ficara sabendo que Chris iria representar a empresa.
Quando ele perguntou se ela gostaria de ir junto, a alegria levou-a s nuvens. A imaginao criou mil fantasias sobre um romance entre os dois.
         A realidade, agora, era outra. Mesmo que ele tambm fosse  Itlia, os quatro dias de conveno seriam cheios de reunies cansativas e entediantes, nada
mais. Chris estava casado. Um romance com ele, se j era impossvel, tornara-se impensvel.
         - O vo j est marcado - James informou. - Virei busc-la s seis e meia da manh, e iremos para o aeroporto.
         - Me buscar?  voc quem vai? Mas Chris...
         - Chris est em lua-de-mel, como voc sabe, e dever ficar fora mais uma semana. Certamente no est se iludindo, achando que ele seria capaz de interromper
a lua-de-mel para viajar com voc. Quando vai crescer, Poppy? E entender...
         - Entender o qu? - ela o interrompeu, quase totalmente descontrolada. - Continue, diga o que est louco para dizer, James. Ou terei que dizer por voc?
         Levantou o queixo, olhando-o diretamente nos olhos, sem piscar.
         - Quando vou entender que Chris no me ama... que ama Sally? - esbravejou. -  isso que ia dizer?
         Poppy sabia que tinha os olhos cheios de lgrimas, mas nada podia fazer a respeito.
         - Eu sei que Chris no pode ir - disse baixinho, vencida pelas emoes.
         O que ela no sabia era que James iria no lugar de Chris. Imaginara que qualquer outra pessoa do departamento de vendas poderia ser o representante na conveno.
De repente, franziu as sobrancelhas, intrigada.
         - Se vai participar da conveno, no precisa de mim - argumentou. - Voc fala italiano fluentemente.
         Ou pelo menos devia falar, Poppy refletiu. Afinal, a av de James e Chris, por parte de me, era italiana, e os dois irmos costumavam passar as frias
com os parentes, na Itlia.
         - Falo italiano, sim - James concordou. - Mas a conveno  internacional, e vou precisar de seus conhecimentos de japons. Portanto, se est pensando em
desperdiar o tempo sonhando com Chris, quero avisar que iremos para a Itlia a trabalho.
         - No lhe dou o direito de me avisar de nada - ela o desafiou. - Conheo minhas responsabilidades.
         Poppy lembrava muito bem que James fora totalmente contra sua indicao para o cargo de tradutora-intrprete da empresa. Ele alegara que seria um caso de
nepotismo e que ficaria mais barato contratar algum s quando esse servio fosse necessrio.
         Essa objeo foi o principal motivo de Poppy querer, obstinadamente, trabalhar para a empresa da famlia.
         Quando a me lhe sugerira um emprego na empresa, ela no concordara. A princpio, tivera outros planos para lutar por sua independncia. Ento, com o desejo
de provar seu valor e de ficar mais perto de Chris, decidira aceitar um cargo.
         - Eu sei que viajarei a servio - Poppy destacou a ltima palavra, com bastante nfase. - Afinal, no sou eu que...
         - Continue - ele pediu, com a voz perigosamente sedosa.
         - Bem, no sou eu que tenho parentes na Itlia - ela completou, dando de ombros.
         - Est querendo dizer que uso a empresa para realizar planos de ordem pessoal?
         - Bem, pelo que sei, voc no faz parte do departamento de vendas, exatamente - ela comentou com agressividade.
         - Como diretor-presidente da empresa, fao parte de tudo, Poppy, pode ter certeza. Nem um simples clipe de papel  usado sem meu conhecimento.
         James disse tudo isso com um olhar to penetrante que Poppy corou. Ela se lembrou da ocasio em que tomara coisas emprestadas do estoque de papelaria, para
uso prprio.
         - E quanto aos executivos do departamento de vendas, a presena deles no ser necessria, dessa vez - ele informou mansamente.
         Poppy fitou-o, surpresa.
         - Quer dizer que iremos s ns dois? - quase gritou, no disfarando um tom horrorizado.
         - Exatamente - James confirmou.
         - Eu no estou... no quero...
         Ela comeou a falar mas parou, ao v-lo sorrindo com amabilidade. Seus instintos avisaram-na do perigo de ser demitida, caso no o acompanhasse. Conhecia-o
bem, para saber que ele seria capaz de demiti-la.
         - Bem, voc  o chefe - concordou estrategicamente, mas suspeitando de que no o enganara.
         Quatro dias com James na Itlia! Ela nem queria pensar. Nada podia ser mais parecido com o purgatrio.
         Uma nuvem de fumaa sada da fogueira envolveu-a. Ao esquivar-se, percebeu que James olhava detidamente para a fotografia que apanhara do cho.
         No era a foto que a preocupava. O que a deixava terrivelmente embaraada era o fato de o papel estar marcado com beijos de batom.
         Uma angustiante sensao de impotncia invadiu-a.
         Dominada por enorme constrangimento, ela esperou que, a qualquer momento, James comeasse a rir e zombar. Precisou reunir todas as foras para no tomar
a foto das mos dele.
         Entretanto, em vez de zombar, ele apenas olhou para ela e para a foto vrias vezes, analisando os detalhes.
         Sem poder mais resistir quela situao humilhante, Poppy decidiu agir. Avanou na direo de James. No foi feliz. Ele percebeu sua inteno e agarrou-a
pelo brao.
         - Solte-me - ela ordenou, humilhada, debatendo-se para escapar da mo poderosa.
         No tinha a menor chance de libertar-se, sabia, embora seu ego se recusasse a admitir.
         James tinha perto de um metro e oitenta e cinco de altura, contra um metro e sessenta dela, e era pelo menos trinta e cinco quilos mais pesado. Para piorar,
sabia que ele costumava correr regularmente, praticava natao e lutava aikido.
         Mesmo assim, cerrou os dentes e exigiu que a soltasse.
         - Solte-me... James... e devolva minha foto...
         - Sua foto?
         Desta vez, ele riu to alto, que Poppy, instintivamente, tapou os ouvidos com as mos.
         - Suponho - ele continuou - que foi s assim que voc, beijou um homem, no foi, Poppy?
         - No, claro que no - ela mentiu, cuidando-se para que ele no a fizesse se sentir pior do que j estava.
         - No? - James fitou-a cinicamente. - Ento, quem foi o felizardo? Com certeza no foi Chris. E voc sempre afirmou que nunca amou nem amaria outro.
         Poppy corou, envergonhada, lembrando que ele estava repetindo suas palavras. Aos dezesseis anos, ela fizera essa confisso, quando James perguntara se ainda
estava apaixonada por seu irmo mais novo.
         - No foi ningum que voc conhea - ela respondeu com raiva.
         - Ningum que ningum conhece, incluindo voc, seria mais certo dizer - James contradisse secamente.
         - No  verdade - ela continuou mentindo.
         - Bem, ento vamos fazer uma prova, pode ser?
         Antes que ela entendesse o que James pretendia, viu-se puxada para perto dele e apoiou-se em seu peito para no perder o equilbrio. Estava to perto que
ouvia-lhe as batidas do corao.
                 - James... - gemeu, olhando-o nos olhos para mostrar sua raiva.
         A inteno de reclamar morreu na garganta, quando ela viu o modo como ele olhava para sua boca. Seu prprio corao comeou a bater mais forte, os msculos
se contraram, e a respirao tornou-se ofegante. Parecia que no havia ar suficiente para os dois.
         Foi como se o tempo parasse repentinamente, e nenhum som pde sair dos lbios dela, pressionados por um beijo suave.
         "Isso no pode ser verdade", Poppy pensou. "James me beijando,  inacreditvel."
         Em pnico, ela agitou-se freneticamente, numa tentativa frustrada de livrar-se. James impediu-a, prendendo-a contra o corpo com uma das mos, enquanto com
a outra segurava-lhe os cabelos. Prisioneira, ela no pde escapar de um beijo mais audacioso, que a fez sentir-se extremamente vulnervel.
         Notou, envergonhada, que tremia da cabea aos ps, e, para sua maior humilhao, James devia estar percebendo sua inexperincia.
         Lgrimas ardentes subiram-lhe aos olhos. Todos aqueles anos sonhando com Chris ficaram perdidos no passado. James, tinha de ser ele, transformara o mais
precioso momento de sua vida, o primeiro beijo de amor, numa piada zombeteira e sem graa.
         Fora para aquilo que ela evitara namorar quando adolescente? Fora para aquilo que no se deixara atrair pela liberdade sexual que a universidade proporcionava?
Tantas noites de sonhos e pensamentos romnticos, para nada!
         Ento, beijar era aquilo? Talvez fosse bom, se no estivesse beijando seu intragvel primo mais velho. Poppy deu um leve gemido, ao descobrir que estava
quase gostando do contato fsico com um homem. Ento, James deixou-a livre.
         Cambaleante, com as pernas fracas, ela deu um passo para trs.
         - Bem, seja l quem for, se  que realmente existiu, quem a beijou no foi um bom professor - James concluiu. - Ou isso, ou...
         Poppy se recomps o suficiente para enfrent-lo.
         - Ou isso, ou no fui uma boa aluna? Era o que ia dizer?
         - Oh, eu no diria assim.
         Ambos ficaram se olhando por um momento, e Poppy imaginou o que ele estaria tramando para humilh-la ainda mais.
         - E ento? - James perguntou simplesmente.
         - Devolva minha fotografia - ela pediu, fitando-o com um olhar severo.
         Entretanto, em vez de atender seu pedido, James rasgou a foto em vrios pedaos. Calmamente, como quem estava seguro do que fazia, jogou-os na fogueira.
         - Voc no tinha o direito de fazer isso! - Poppy protestou.
         - O que pretendia fazer? - James perguntou. - Est tudo acabado, Poppy. Chris  um homem casado, agora. Tem de aceitar que ele no a ama.
         - Como ousa?
         - J  tempo de voc crescer, de encarar a realidade e acabar com as fantasias de adolescente.
         Para seu alvio, Poppy viu que ele se virava para ir embora. As lgrimas estavam prestes a cair, e ela no queria se humilhar mais ainda, chorando na frente
dele.
         - No se esquea de que virei busc-la na quarta-feira, s seis e meia da manh - ele avisou, afastando-se. - No se atrase.

CAPTULO II




  P
#oppy acordou sobressaltada. Olhou ansiosa para o despertador iluminado, apavorada com a idia de ter perdido a hora.
         Eram cinco horas, ainda. Com um suspiro de alvio, decidiu levantar-se. Desarmou o alarme do despertador, que ajustara para as cinco e meia. No dormira
bem. E no s naquela noite. Tivera insnia todas as noites, depois do casamento de Chris, e nas que antecederam tambm.
         No dia anterior, chegara em casa e encontrara a me e a tia olhando as provas das fotografias do casamento.
         Foi constrangedor o modo levemente desconfortvel como as duas a olharam. Fora exatamente assim, no casamento. As pessoas trataram-na com especial deferncia
e simpatia, numa clara atitude de compaixo.
         A nica pessoa que a tratara normalmente fora #Star, a outra #dama-de-honra, sua melhor amiga e de Sally. O conceito de #Star sobre relacionamentos e compromissos
era dos mais cnicos possveis. "O amor pode no durar, mas a inimizade dura", ela costumava dizer.
         Poppy vira a tia esconder as fotos da noiva e, quando sara da cozinha, ouvira-a dizer a sua me que Chris amava Sally perdidamente, o que no a surpreendia,
pois ela era uma jovem adorvel.
         - Mas nunca pensei que ele fosse se apaixonar tanto assim - a tia acrescentara, enquanto Poppy ouvia, parada no primeiro degrau da escada. - De meus dois
filhos, James  o que parecia mais propenso a se apaixonar, por ser mais impulsivo, mais arrojado. Chris sempre foi mais sossegado. E Poppy, como estar se sentindo?
         Rapidamente, Poppy subira a escada, com uma sensao que misturava dor e indignao.
         Ela sabia como James reagiria, se ouvisse aquela conversa. Com certeza zombaria dela por ser objeto de comiserao dos outros e diria que nunca permitiria
que tal coisa acontecesse com ele.
         Talvez a tia tivesse razo ao dizer que James era o mais impulsivo dos dois filhos. Poppy concordava com isso, s que em um outro sentido. James tinha seu
jeito prprio de fazer as coisas e passava por cima de, qualquer um que discordasse de suas idias. Quanto a ser mais apaixonado e sensvel do que o irmo mais novo,
isso no.
         A nica emoo que James podia exibir era a raiva. A mesma raiva que ela sentiu quando recebeu seu indesejvel, odioso e desprezvel beijo.
         Arrepiada por um sbito calafrio, ela entrou rapidamente no banheiro para uma ducha quente. A manh estava fria, mas, olhando pela janela, Poppy notou que
a claridade da alvorada prenunciava um belo dia de sol e calor.
         No, o calafrio que sentira no corpo no era coisa externa, vinha de dentro dela mesma. Sua origem estava num fato de difcil aceitao. Em algum lugar
de seu corpo, escondia-se uma reao involuntria, que ela provara fisicamente, ao ser beijada por James.
         Mas no podia ser nada relacionado com desejo, e ela decidiu esquecer o assunto. Enquanto estava sob o chuveiro, revisou mentalmente os termos tcnicos
em japons que estudara na noite anterior.
         A conveno da qual iam participar seria uma novidade no campo de produtos eletrnicos e prometia ser um evento de alto nvel. No seria em Milo, onde
ela estivera em ocasies anteriores, mas num hotel #spa de categoria internacional, nas montanhas.
         Pelos prospectos que Chris mostrara, a conveno pareceria mais um perodo de frias do que de trabalho. Assim, ela refletiu, saindo do boxe, se houvesse
oportunidade, aproveitaria as vantagens oferecidas pelo hotel.
         Ao vestir as roupas ntimas, Poppy deu uma olhada em seu corpo nu, refletido no espelho do banheiro. Ela sempre fora esbelta, mas nas semanas que antecederam
o casamento perdera alguns quilos. Agora, olhando-se com mais ateno, percebia como emagrecera. Comparando mentalmente seu corpo delgado com as curvas voluptuosas
de Sally, admitiu que a escolha de Chris no era de admirar.
         James j havia comentado sobre sua falta de curvas, quando foram obrigados a danar juntos, na ltima festa de Natal da empresa. Com uma nica mo, ele
quase rodeara toda sua cintura. Para no perder o costume, ele zombara, dizendo que ela tinha corpo de menina, no de mulher.
         " apenas um indicativo de sua relutncia em crescer e aceitar a realidade", fora o comentrio sarcstico dele.
         "Sou adulta, tenho vinte e dois anos", Poppy replicara com raiva.
         James tornara-se odioso, no entanto Poppy o adorara, na infncia. Fora ele que, pacientemente, a ensinara a andar de bicicleta e a empinar sua primeira
pipa. Fora ele tambm que enxugara suas lgrimas, quando ela levara o primeiro tombo da bicicleta e quando a linha da pipa se arrebentara.
         Tudo mudara, porm, quando aos doze anos ela se apaixonara por Chris. James, que sempre fora alegre e divertido, tratando-a com carinho e respeito, mudara
completamente de comportamento ao saber de seus sentimentos pelo irmo. Poppy retribura sempre com a mesma moeda, e a antipatia, com o passar dos anos, aumentara,
em vez de diminuir.
         Agora, a ltima coisa que desejava, ela admitiu, vestindo um conjunto apropriado para a viagem, era ficar quatro dias exposta s provocaes de James, na
Itlia. Entretanto, fugir covardemente das responsabilidades no era de sua natureza. Levava seu trabalho muito a srio.
         O servio de traduo que fazia era importante, mas Poppy reconhecia que no havia o suficiente para mant-la ocupada oito horas por dia, cinco dias por
semana. Entretanto, os outros tipos de trabalho que ela tivera de assumir obrigaram-na a fazer um curso noturno de computao. Era um bom investimento, j que ela
desejava provar seu valor e envolver-se nos assuntos administrativos da empresa.
         A bagagem que arrumara na noite anterior estava no andar de baixo. Apanhando o casaco, que completava o conjunto de saia reta e blusa de seda, Poppy estudou
criticamente a prpria imagem, no espelho do quarto.
         Os cabelos lisos e compridos faziam-na realmente parecer mais jovem, porm, ela no tinha inteno de cort-los. Chris dissera uma vez que cabelos compridos
emprestavam  mulher um ar de incrvel feminilidade. Sally, entretanto, usava curtos os cabelos loiros, quase como os de um garoto.
         Seu tipo de rosto no se adaptava bem a uma exagerada maquilagem, Poppy sabia, mas achou que estava um pouco plida. Os olhos se destacavam, grandes e brilhantes,
sob as grossas sobrancelhas escuras. O nariz, pequeno e afilado, compunha um conjunto harmonioso com a boca, de lbios carnudos e sensuais.
         Ao chegar  cozinha, a primeira coisa que Poppy fez foi tomar uma deliciosa xcara de caf. As torradas, ela no ia mesmo comer. Seu estmago sempre se
manifestara nervosamente antes de ela viajar de avio.
         Seu tio, o pai de James e Chris, fora piloto amador. Ele e um amigo morreram, quando o avio em que viajavam cara, durante uma violenta tempestade. Chris
ficara arrasado com a morte do pai e chorara a grande perda, como todos os outros parentes. James tivera uma reao diferente. Fechara-se em si mesmo, permanecendo
mudo e distante.
         No exato momento em que sorvia o ltimo gole de caf, ela ouviu o barulho do carro de James. Com agilidade, colocou a xcara na mesa e correu para a porta
da frente, levando consigo a bagagem. Como ela, James estava vestido formalmente. Usava terno #cinza-claro que, pelo corte perfeito, acentuava os ombros largos.
         Quando ele pegou a mala maior da mo dela, Poppy percebeu seu olhar de inspeo e j esperou algum comentrio depreciativo. Entretanto, o que ele estava
conferindo mesmo era algo mais profundo, pelo menos do ponto de vista masculino. Seu olhar demorou-se um pouco na leve elevao dos seios de Poppy.
         Era o tipo de inspeo masculina a que ela j estava acostumada. De certa forma, gostava de saber que os homens a admiravam como mulher, mas no esperara
isso de James.
         O modo sensual como ele a olhara fora desconcertante. Poppy juraria que ele nunca percebera sua passagem de adolescente para mulher feita. Resistiu  tentao
de fechar a gola do casaco e apenas olhou-o com jeito agressivo.
         - Pegou tudo? - ele perguntou. - Passagem, passaporte, dinheiro...
         - Claro - ela respondeu simplesmente, esforando-se para ser civilizada.
         O Jaguar brilhava intensamente ao sol da manh. Quando ele abriu a porta do passageiro, Poppy sentiu o cheiro maravilhoso do couro que revestia os acentos.
Chris e a me tambm eram diretores da empresa, mas usavam carros de muito menos luxo.
         -  lindo - Poppy comentou, alisando o couro macio com os dedos. - Uma exigncia de seu trabalho, presumo.
         - No, na verdade no  - James chocou-a com a negativa, pondo o carro em movimento. - Mesmo que eu quisesse usar minha influncia na empresa para tirar
certas vantagens, no poderia. As altas taxas de juros para se adquirir um carro de luxo em nome de uma companhia so proibitivas.
         Poppy sentiu-se corar, entendendo a mensagem logo no incio da explicao. Ele quisera dizer que, ao contrrio dela, no usava sua influncia em benefcio
prprio.
         A indignao cresceu no ntimo de Poppy. Quando seria julgada pelos seus mritos, em vez de ser condenada s porque era filha de uma importante acionista
da empresa?
         O trnsito ficou intenso, quando se aproximaram do aeroporto. Poppy agitou-se nervosamente no banco, embora limitada pelo cinto de segurana. Sua maior
preocupao era o terrvel momento da decolagem. Depois que estivesse l em cima, seria mais fcil relaxar.
         A regio da Itlia onde se realizaria a conveno ficava a trs horas de carro, a partir do aeroporto onde aterrissariam. Por seus clculos, Poppy concluiu
que passariam a maior parte do dia viajando. A simples lembrana de que poderia ser Chris seu companheiro de viagem encheu-lhe os olhos de lgrimas. Com muito esforo,
ela impediu que as lgrimas cassem.
         - Coitadinha da Poppy! - James exclamou com sarcasmo. - Apaixonada por um homem que no a quer. Tenho a impresso de que isso  uma pea de teatro, cujo
papel principal voc est gostando de desempenhar.
         - No  verdade - ela negou em tom abafado.
         -  a impresso que eu tenho - ele reafirmou. tomando a direo do estacionamento. - Parece que voc acha mais interessante representar o papel da #autopiedade
do que ter um amor de verdade.
         Poppy estava furiosa quando ele estacionou o carro e abriu a porta. No se daria ao trabalho de responder ao insulto. Assim, evitaria que ele percebesse
o quanto a magoara.
         - No  de admirar que Chris preferisse uma mulher de verdade na cama - James disse com crueldade, abrindo a porta do passageiro para que ela descesse.
         "Eu sou uma mulher de verdade", Poppy desejou protestar. "To real quanto Sally, capaz de amar e despertar desejos."
         Seria mesmo? Haveria algo de especial em Sally, que estava faltando nela? Todas as dvidas sobre sua sexualidade, surgidas desde a notcia do compromisso
de Chris com Sally, irromperam em seu ntimo.
         James sabia de seus medos e de sua insegurana sobre o assunto? Como poderia? Impossvel. Ele estava tentando apenas mago-la, provocar uma reao que confirmasse
a teoria de que ela era tola e imatura.
         Com que inteno ele fazia aquilo, Poppy realmente no sabia, e tambm nunca se questionara a respeito. Estaria ele forando um motivo para #despedi-Ia da
empresa? Destru-la profissionalmente?
         Aps ter retirado a bagagem, James fechou o carro e esperou impacientemente que ela o acompanhasse.
         "Os prximos quatro dias prometem ser os mais longos de minha vida", Poppy refletiu.

         - Pode relaxar agora. J estamos no ar.
         As palavras de James em seu ouvido fizeram Poppy suspirar de alvio.
         Tendo recusado o assento da janela, que James oferecera, ela ajustara o cinto de segurana. O avio taxiara e comeara a decolagem.
         Sem ter a mo de algum para segurar, o que ajudaria a reduzir seu medo, Poppy, instintivamente, apoiara-se de leve no brao de James.
         Ele nunca sentia medo? Nada era capaz de quebrar seu frreo autocontrole? Nunca ningum o fizera sofrer? Ela se perguntara quase tudo ao mesmo tempo, sem
se incomodar com as respostas. Na verdade, no momento estava mais preocupada com seu medo da decolagem.
         Como sempre, agora que estavam realmente no ar, ela sabia que a viagem seria tranqila at o final.
         - Olhe, James, que linda vista! - Poppy suspirou, admirada, olhando pela janela do carro alugado.
         Havia transporte regular entre o aeroporto e o centro de convenes, mas James preferira alugar um carro. Poppy aprovara a idia. Confiava em James como
motorista e, alm disso, ele conhecia bem as estradas italianas.
         A idia de ficar com ele durante trs horas dentro de um carro era outro assunto. Assim que comearam a subir pela estrada de montanha, ela decidiu ocupar-se
com seus prprios pensamentos, para no ter que conversar.
         O orgulho a impedia de confessar que seu amor por Chris se tornara um pesado fardo, que ela tentava desesperadamente afastar de sua vida. Se ela. e James
tivessem um bom relacionamento, se ela confiasse nele o suficiente para falar de seus sentimentos, seria diferente. E contaria quanto se esforava para libertar-se
de um amor impossvel, que s lhe trazia sofrimento.
         A deciso de ficar em silncio, porm, comeou a perder fora. A estrada serpenteava por uma cadeia de montanhas, levando-os atravs de pequenos vilarejos
e cidades onde havia praas da poca da Renascena.
         As comunidades eram tranqilas, e apenas sua arquitetura lembrava um passado de guerras, invases e conquistas. a maravilhoso cenrio encantou Poppy, a
ponto de ela esquecer o voto de silncio que se impusera.
         James, naturalmente, j no se impressionava tanto. Tinha parentes na Toscana e em Roma. A beleza da Itlia no era novidade para ele.
         - Sem dvida,  uma vista que voc apreciaria bem mais, se estivesse com Chris - James comentou, em dado momento. - Entretanto, ele no compartilharia de
seu entusiasmo.  um homem que gosta da moderna vida urbana, tanto quanto Sally.
         Poppy no disse nada e virou o rosto para que ele no visse seus olhos embaados de lgrimas. James tinha razo. Chris nunca compartilhara de seu amor pela
histria, pela natureza. Ele mesmo admitira, claramente.
         Poppy ficou sem argumentos para contradizer. Ainda bem que faltava pouco para chegarem, ela pensou. Ajeitando-se no assento, virou o rosto para a janela
e fechou os olhos.
         "Quatro dias, meu Deus! Faa com que passem depressa", ela pediu mentalmente.

         - Poppy...
         Sonolenta, ela abriu os olhos e esticou o corpo dolorido. O carro diminuiu a marcha. Haviam chegado ao seu destino.
         O hotel, como constava dos prospectos, fora originalmente uma fortaleza medieval, construda por um prncipe italiano. Ficava no alto de uma montanha, para
proteo da propriedade. Entretanto, o texto puro e simples no fizera jus  grandeza da obra vista ao vivo. Era uma edificao que parecia escavada na prpria rocha,
elevando-se a partir do ptio onde James estacionara o carro.
         Mesmo sabendo que a velha fortaleza fora transformada em um moderno e confortvel hotel, Poppy ficou arrepiada com o que via a sua frente. A solidez rstica
do edifcio de pedra era suavizada apenas pela manta de hera que o revestia e pelas roseiras do jardim que o cercava.
         Por muitos sculos, o #palazzo, como era chamado, fora usado como residncia, at ser ocupado pelo exrcito alemo, na Segunda Guerra Mundial. Poppy sabia
que no s os quartos haviam sido modernizados para receberem os hspedes. O jardim aqutico italiano tambm fora restaurado, e haviam sido plantadas as mesmas qualidades
de rosas e arbustos que o ornamentavam originalmente.
         Apesar de ter lido sobre a exuberncia do hotel, Poppy no estava preparada para o que via, e no conseguiu evitar um leve arrepio. Era assustador.
         -  um lugar impressionante. Deve ter recebido muitos prisioneiros - James comentou. - No so muitas as chances de algum fugir daqui.
         - No, no so - Poppy concordou, desanimada. Talvez os prisioneiros tivessem as mesmas chances que ela de escapar de James nos prximos quatro dias.
         O estacionamento estava ficando lotado rapidamente, com a chegada de outros convidados.
         - A recepo deve ser daquele lado. Vamos nos registrar, antes que chegue mais gente - James sugeriu, saindo do carro.
         Dentro do hotel, a austeridade da fortaleza acabava logo na recepo. O enorme salo com teto em forma de cpula era iluminado por candelabros de cristal,
e havia afrescos nas paredes. S um salo com aquelas dimenses comportaria tantas cores, como dourado, carmim e azul, Poppy concluiu, caminhando para a mesa central
de recepo.
         As recepcionistas, impecavelmente uniformizadas, ocupavam-se em atender o pequeno fluxo de convidados que acabara de chegar. Poppy ficou cinicamente divertida
ao ver James receber um tentador sorriso de uma das moas, apesar de ser o terceiro da fila.
         Ela estava cansada de saber que as mulheres achavam James muito atraente. Mas nem mesmo quando ele foi atendido pela sorridente recepcionista Poppy se incomodou.
Que fizesse bom proveito, pensou, dando de ombros.
         Ela ficou tensa quando, de repente, ouviu o que a moa estava dizendo para James. Correu para junto da mesa.
         - O que ela quis dizer com "quarto duplo"? - perguntou, indignada.
         A recepcionista j estava pegando a chave, quando James interveio.
         - Deve estar havendo um engano - ele argumentou em fluente italiano. - Reservamos dois quartos separados.
         - No pode ser - a moa discordou, com a lista de reservas na mo. - Aqui est: sr. e sra. #Carlton.
         - Eu sou Poppy #Carlton, mas no somos casados...no sou esposa dele.
         A moa ficou olhando-a, sem entender nada.
         - James, explique a ela, por favor - Poppy pediu. Como puderam cometer um engano desses?, pensou, furiosa, enquanto James explicava  recepcionista que
houvera confuso e pedia quartos separados.
         Fora a secretria de Chris que fizera as reservas. Era uma pessoa responsvel e extremamente eficiente. Poppy no acreditava que ela tivesse cometido um
erro to grande.
         O gerente foi chamado e, depois de ouvir o que estava acontecendo, deu de ombros, com um gesto negativo de cabea.
         - Sinto muito, mas no ser possvel ceder-lhe dois quartos - disse a James. - O hotel est completamente lotado devido  conveno. Todos os quartos esto
ocupados.
         - Deve haver um quarto... um lugar... - Poppy insistiu.
         - Nada. No temos nada - o gerente declarou.
         - Ento, vamos ter que arrumar outro lugar para ficar - Poppy explodiu.
         Sentiu-se corar sob o olhar fulminante de James.
         - Onde voc est com a cabea? - ele perguntou. - A cidade mais prxima fica a sessenta quilmetros daqui.
         - Ento... ento vou dormir... no carro - Poppy decidiu, embora relutante.
         - As quatro noites? No seja ridcula! - James ralhou, olhando-a com pouco caso.
         - James, eles no podem fazer isso! - ela protestou, quando o gerente foi atender um grupo de japoneses. - Faa alguma coisa!
         - Fazer o qu? - ele perguntou, gesticulando para o salo agora repleto de pessoas requerendo ateno. - Voc j participou de outras convenes, sabe como
isso. Quando algo d errado no comeo, vai assim at o fim.
         - Talvez, mas nunca deu errado antes - Poppy reclamou. - Como podem cometer um erro desses? Deve haver alguma coisa que se possa fazer. Oferea dinheiro...
qualquer coisa...
         - Chega, Poppy - James ordenou pausadamente como fazia quando ela era criana. - No h nenhum quarto vago! Voc ouviu!
         Ela estava pronta para dizer que no ficaria ali. Entretanto, lembrou-se de que James adoraria a chance de alegar falta de profissionalismo e calou-se.
                 James, certo de que o assunto estava encerrado, assinou o livro de registro.
         - Vamos andando - convidou. - Deus sabe quanto tempo teremos de esperar por um carregador.
         O quarto deles ficava num dos andares de cima. Quando saram do elevador e pisaram no cho revestido de mrmore polido, o silncio era quebrado apenas pelo
zumbido do ar-condicionado.
         - Por aqui - James orientou.
                 Andaram  direita de quem saa do elevador e chegaram ao quarto, alguns metros adiante. Assim que James abriu a porta, Poppy entrou e viu, espantada,
que havia somente uma cama de casal.
         Ela olhou para ele e depois novamente para a cama.
         - No acredito no que estou vendo! - exclamou.
                 #-Agora oua, Poppy, e corrija-me, se eu estiver errado. Como tradutora oficial da empresa, no seria de sua responsabilidade providenciar tradues
corretas para todos os departamentos?
         - Voc sabe que sim - ela concordou, irritada. - Mas...
                 - Nesse caso, seria voc a pessoa mais indicada para providenciar as palavras certas para a reserva de quartos.
                 - Se tivesse chegado ao meu conhecimento, sim, mas...
         - E tambm acho que no estou enganado ao dizer que na data em que foi feita a reserva, voc acreditava que viria  conveno com Chris - ele comentou,
interrompendo-a.
         Poppy fitou-o, incrdula, ao compreender o que ele estava querendo dizer.
         - Certo, eu pensava que viria com Chris! - ela concordou, furiosa. - Mas isso no significa que alterei as reservas para dormir com ele na mesma cama. No
tenho nada a ver com essa confuso!
         Parou de falar para tomar flego.
         - A reserva foi feita por fax, enquanto eu estava de frias, e se pensa que eu seria capaz de... forar... de fazer uma coisa dessas eu...
         No pode continuar, impedida pela fora das emoes.
         - No posso ficar neste quarto com voc - declarou assim que se recomps. - No posso e no vou ficar!
         - Pare com a histeria - James gritou. - No temos escolha. Passei meses entrando em contato com companhias internacionais. Clientes em potencial estaro
participando da conveno. No tenho tempo para perder com uma histrica manipuladora que...
         - Eu no arranjei isso! No tem nada a ver comigo - Poppy continuou protestando. - A ltima coisa que desejo...  dormir na mesma cama com voc.
         - Acredito, Poppy, mas tambm pode acreditar que voc no  meu tipo preferido. O que estava planejando? Algum tipo de trapaa? Pretendia contar a Sally
que voc e Chris dormiram juntos?
         #-No!
         A voz de Poppy ecoou como uma exploso. Como ele podia pensar uma monstruosidade daquelas?
         - Eu amo Chris, James. Isso significa que ele est em primeiro lugar, na minha vida. No o magoaria por nada no mundo. No precisa me dizer que ele no
me ama. Acha que eu iria quer-lo, sabendo disso?
         Ela soluou, incapaz de continuar.
         - O que acho  que seu to falado amor por Chris tornou-se uma obsesso enorme, e que voc est perdendo a razo.
         - Est enganado - Poppy murmurou. - No  obsesso. - Entretanto, pela expresso do rosto de James, ela concluiu que ele no acreditava.

CAPTULO III




  P
#oppy respirou fundo, olhando a vista panormica pela janela do quarto.
         James encontrava-se no salo de convenes, onde fora checar se o estande montado pelos agentes italianos estava em ordem. Cedo ou tarde, ela teria que
se juntar a ele. Afinal, estava ali para trabalhar.
         A exposio montada pelas empresas no abria na parte da manh, mas, por experincia prpria, Poppy sabia que o saguo de entrada devia estar cheio de gente
ansiosa para entrar.
         O que acontecera, para que ela e James tivessem de ficar no mesmo quarto?, Poppy perguntou-se mais uma vez. Como teria ocorrido o engano? Pior ainda, como
James ousara insinuar que ela manipulara tudo para dormir com Chris?
         Ela se recusava a ocupar a mesma cama que James, entretanto, dormir no cho frio de mrmore no devia ser muito confortvel.
         Pelo menos a cama era grande, ela observou. No corria o risco de dormir encostada nele. Se deitasse do seu lado e se virasse de costas, poderia fazer de
conta que ele no estava ali. Na verdade, no havia motivo para preocupar-se. James, de maneira alguma, tentaria aproveitar-se da situao. Poppy quase riu ao lembrar-se
de outros tempos.
         Muitos anos atrs, houvera ocasies em que todos os parentes saram de frias juntos. Embora ela nunca tivesse dormido na mesma cama com um dos meninos
sempre havia uma espcie de intimidade familiar, comum naquelas circunstncias.
         Mas isso acontecera nos tempos de criana. Poppy reconhecia a grande diferena. Ela era uma menina de cinco anos, e James, um garoto de treze. Embora dormissem
no mesmo quarto, as camas eram separadas. Agora, eram dois adultos, ela com vinte e dois e ele com trinta anos. No podiam dormir na mesma cama!
         O roupo de algodo que trouxera era to protetor quanto as camisolas de flanela que usava quando criana. A ltima coisa de que precisava no momento era
uma camisola sensual.
         Lembrando-se da regra de ouro para uma boa viagem - "leve apenas o que voc mesma pode carregar", ela colocara na bagagem o mnimo necessrio. Era de seu
costume dormir nua, mas, naquelas circunstncias...
         Cansada, ela correu os dedos pelos cabelos. Sentia a pele grudando de suor. Uma das coisas que a impressionaram no quarto, fora o enorme e confortvel banheiro.
         James provavelmente no voltaria logo. O momento era oportuno para tomar um banho, sem ter que sofrer o constrangimento de usar o banheiro na presena dele.
         Aps separar uma blusa leve, uma cala de linho e, roupas ntimas, Poppy entrou no banheiro, deixando a porta apenas encostada, como de costume.
         Uma vez, quando criana, a fechadura emperrara, e ela ficara trancada no banheiro. Desde ento, o medo irracional de que aquilo acontecesse novamente sempre
a acompanhara.
         Primeiro ela deixou a gua correr por todo o carpo, antes de usar generosamente seu #sabonete-gel preferido.
         Poppy raramente usava perfumes fortes, preferindo mais. a fragrncia do gel e algumas loes suaves. Assim, a nica maneira de algum saber se ela estava
usando perfume era chegar bem perto ou...
         Ela fechou os olhos, apertando-os para evitar as lgrimas reconhecendo o rumo que os pensamentos estavam tomando. A nica maneira de um homem sentir a fragrncia
de seu corpo era estar fisicamente ligado a ela. Um homem que fosse seu amor. Entretanto, seu amor amava outra pessoa.
         Angustiada, Poppy terminou o banho e preparou-se para sair do boxe. Mergulhada em seu desespero, no ouvira a porta do quarto abrir-se. S quando James
entrou no banheiro foi que ela se deu conta de que ele voltara.
         Por um segundo, nenhum dos dois disse uma palavra. Apenas o chuveiro gotejando quebrava o silncio. Completamente nua, Poppy olhava-o, espantada. A primeira
reao foi cruzar os braos para cobrir os seios, um gesto instintivamente feminino.
         Numa frao de segundo, ela olhou para a toalha pendurada no #cabideiro. Mesmo estando nua e constrangida, decidiu sair do boxe. Se James pensava que ficaria
ali muito tempo, deliciando-se com seu embarao, estava enganado.
         Para seu espanto, porm, assim que ela deu o primeiro passo para fora, ele pegou a toalha e praticamente atirou-a em suas mos. A expresso de James era
de difcil interpretao, deixando-a tensa.
         Ser alvo da raiva e do desprezo de James no era novidade para Poppy, que sentiu a indignao crescer. No fazia a menor idia do que fizera de errado para
merecer um olhar to frio.
         - Cubra - se, pelo amor de Deus, Poppy. Voc no  mais uma criana, embora ainda se comporte como uma - ele censurou.
         - E voc devia ter batido, antes de entrar - ela argumentou, envolvendo-se na toalha.
         - E voc devia ter trancado a porta - James rebateu. - A menos que esteja fantasiando que, num passe de mgica, vou me transformar em Chris.
                 - S voc, para ter uma imaginao to frtil assim - ela respondeu em tom de provocao.
                 - Tenha cuidado, Poppy. Vou acabar esquecendo que voc  minha prima e...
         - Sou sua prima - Poppy o interrompeu -, mas isso no lhe d o direito de me tratar assim. Afinal segundo voc, ainda sou uma... espcie de criana.
                 - No ? Quer que a trate como uma mulher adulta?
                 Poppy intimidou-se por um momento, achando esquisita a maneira penetrante com que ele a olhava da cabea aos ps. Por intermdio de outras mulheres,
sempre ouvira comentrios sobre o explosivo carisma sexual de James. No esperava ser alvo de um escrutnio to profundo, quase selvagem. Sentiu-se como se estivesse
nua mesmo envolvida na toalha.
         Quando ele finalmente terminou o minucioso exame Poppy estava completamente indefesa, chocada, petrificada. Nenhuma palavra, nenhuma lgrima, nada seria
capaz de expressar com fidelidade seu ultraje e sua humilhao.
         A sensao que tinha era a de ser um objeto sem direito a emoes, desejos e auto-respeito, um simples pedao de carne... um corpo... uma coisa.
         Assim que as foras lhe permitiram, Poppy libertou-se do transe quase hipntico e, com toda a raiva represada atacou:
         - Sempre me perguntei por que nunca se casou, James. Agora sei.  por causa da maneira como voc v as mulheres. D para perceber de que modo voc trataria
sua mulher.
         - Voc no sabe de nada - James retrucou, aproximando-se e segurando-lhe o rosto pela ponta do queixo. - Digo mais: no sabe o que  ser uma mulher atraente.
         - Opinio sua - Poppy replicou, safando-se dele com um brusco movimento. - Mas vou dizer o que sei. Sei que voc  o ltimo homem a quem eu me mostraria
nua.
         - No me provoque, Poppy - ele avisou, virando-se e caminhando para a porta. - No me desafie, porque pode no gostar das conseqncias.
         Parou ao sair do banheiro e olhou para trs.
         - Vim avis-la de que talvez tenhamos alguns dias difceis pela frente - disse. - Por razes de ordem funcional o hotel suspendeu o servio de quarto. O
jantar ser servido l embaixo, s oito e meia. Se quiser comer, trate de chegar cedo.
         Por um momento, esperou que Poppy dissesse alguma coisa, mas ela permaneceu calada.
         - Ainda tenho algumas coisas para checar. - Ele olhou para o relgio. - Encontro voc l embaixo, s oito.
         Lanando-lhe um olhar furioso, ela foi atrs, mas ele voltou e pegou as roupas que ela estava deixando no banheiro.
         - No est esquecendo isto, est?
         Poppy sentiu o sangue ferver nas veias e bruscamente arrebatou-lhe as peas da mo, observando-o admirar o suti, de dimenses perfeitamente normais.
         - Acredito que homens como voc devem preferir algo como... cetim vermelho - ela comentou com desprezo.
         Por um momento, teve a impresso de que James no iria replicar. Porm, o sorriso de desdm que ele tinha no canto da boca pressagiava um dos mais contundentes
ataques.
         - Cetim, talvez - ele concordou. - Vermelho, nunca. Est enganada sobre a preferncia dos homens, Poppy. No  de admirar que no conseguiu despertar o
interesse de Chris.
         Fez uma pausa.
         - Da prxima vez, tente uma armadilha mais inteligente para atrair um homem. Se proclamar, em um lugar pblico, que no est usando nada por baixo de sua
respeitvel saia, garanto que far sensao.
         - Voc  repugnante! - Poppy revidou furiosa, sentindo-se corar. - Fique sabendo que eu nunca... Como ousa insinuar que eu seria capaz de...
         - Oh, no, Poppy, no sou repugnante, mas voc  muito ingnua - ele afirmou com ironia. - Agora, mudando de assunto, quero que providencie um fax, por
favor. Espero que seja to boa em japons quanto sua me alardeia. Conversei com uma executiva do grupo alemo. Ela passou dois anos em Tquio e...
         - Dois anos em Tquio, provavelmente como gueixa - Poppy resmungou desrespeitosamente, assim que James deixou-a sozinha no banheiro.
         No importava, se eles eram primos e se na infncia ele a vira nua muitas vezes. Ela ainda se lembrava de quando, aos sete anos, despida de suas roupas
enlameadas, fora lavada por ele. Com um rpido sermo, enquanto a esfregava, ele comentara o que aconteceria, se a me descobrisse a travessura. Poppy desobedecera
a ordem de no brincar no riacho que passava nos fundos da casa onde a famlia passava as frias.
         Naquele tempo, ela o agradecia por tudo o que ele fazia e, ridiculamente, via-o como seu salvador. Agora porm, era diferente.

         James tinha razo, Poppy concordou, enquanto esperava-o no andar trreo. O salo de espera estava lotado. Ela conversara com algumas pessoas que j conhecia
de outras convenes, e todas confirmaram a confuso que James havia previsto. O gerente do hotel provavelmente superestimara sua capacidade de lidar com um evento
de to grande porte.
         - Dizem que dois cozinheiros se demitiram, e que os outros tiveram que ser subornados para ficar - Gunther - um gerente de vendas alemo, contou.
         Poppy conhecera-o em Frankfurt, durante uma conveno. Chris, para arreli-la, dissera que Gunther estava atrado por ela, o que a irritara. Ela no queria
atrair nenhum outro homem. Tudo o que desejava era a ateno de Chris.
         Gunther perguntou se ela estava participando da conveno com o primo. Ela respondeu que sim, prestando ateno em James, que abria caminho em sua direo.
Pediu licena ao jovem alemo e foi ao encontro dele.
         - Quem  aquele? - James perguntou.
         Poppy respondeu  pergunta, e imediatamente ele fez outra, franzindo as sobrancelhas:
         - O que ele queria?
         A agressividade de sua voz surpreendeu-a.
         - Fique sossegado. Gunther no est interessado nos segredos de nossa empresa - ela respondeu em tom de provocao. - Ao que parece, esta interessado em
mim.
         Esperou que James replicasse com sua costumeira zombaria. Para seu espanto, porm, ele apenas ficou observando Gunther, que se juntara a um grupo de colegas.
         Como j era esperado, o jantar foi um tanto desorganizado. Embora meio sem apetite, Poppy descobriu, com grande surpresa, que a comida estava realmente
deliciosa.
         Assim que terminaram de comer, James informou que tinha algumas coisas para fazer e deixou-a livre. Ento, ela decidiu conhecer o resto do hotel.
         O prospecto destacava as alternativas de lazer que o #spa oferecia, mas, aps algumas perguntas, Poppy descobriu que muitos dos locais ainda no podiam ser
usados.
         Estavam prontos a hidromassagem, a sauna, a sala de ginstica e o complexo aqutico. Tudo ficava disponvel at as dez horas da noite, uma recepcionista
informou.
         Como j passava das dez, Poppy resolveu dar uma olhada, pelo menos. O prospecto mostrava fotografias da rea onde ficavam as piscinas e a hidromassagem.
Uma parede inteiramente de vidro,  beira da encosta rochosa da montanha, descortinava o que a publicidade chamava de "vista maravilhosa". Embora fosse noite, talvez
ela pudesse apreciar parte da beleza, pois a lua cheia fornecia bastante claridade.
         No foi difcil chegar ao centro esportivo. As piscinas, ainda iluminadas, ficavam encravadas numa plataforma circular, elevada. De um lado via-se a parte
coberta do complexo, do outro, erguia-se o que Poppy reconheceu como a extensa parede envidraada.
         As duas paredes restantes eram recobertas por afrescos. Uma passarela sobre colunas ligava o complexo aqutico ao recinto da hidromassagem e, mais adiante,
a um outro prdio.
         No momento em que ela estava observando os afrescos ouviu um barulho vindo da hidromassagem. Olhou curiosamente naquela direo e viu duas pessoas na gua.
         Um riso abafado de mulher chegou at ela, seguido de uma risada masculina e do barulho de gua em agitao.
         Poppy sentiu-se ruborizar, imaginando o que estava, acontecendo. No eram apenas duas pessoas usufruindo ilicitamente a hidromassagem aps as dez horas,
com pensara. Era um casal de namorados, provavelmente testando o efeito afrodisaco da gua turbilhonante.
         Embora sabendo que no podia ser vista, Poppy sentiu-se desconfortvel, principalmente ao ouvir um leve gemido, que parecia ser da mulher.
         Girando nos calcanhares, comeou a se afastar. rapidamente. Ainda sentia o rosto quente, quando chegou ao quarto. Para seu alvio, James no estava l.
Pensando em facilitar as coisas, ela decidiu preparar-se para dormir, enquanto estava  vontade, sozinha.
         Ouvir os namorados na hidromassagem, saber que estavam fazendo amor, no s a deixara embaraada, como trouxera de volta todo o sofrimento por ter perdido
Chris. Seus olhos arderam com o peso das lgrimas, que ela se recusava a derramar. A ltima coisa de que precisava era estar chorando, quando James voltasse.
         Como seria ter suas necessidades, seus desejos, satisfeitos por um homem? Saber que ele a queria? Ter a liberdade de toc-lo, de compartilhar com ele momentos
de sensualidade? Amar e ser amada?
                 Com mos trmulas, Poppy vestiu o pesado roupo de algodo e deitou-se.
                 Acostumada a dormir nua, estranhou o desconforto produzido pelo tecido grosso em contato com a pele. Porem, ao estender a mo para apagar a luz
do abajur, j estava tonta de sono.
         Teve um sonho maravilhoso. Nele, todos os problemas se resolviam. O sofrimento e a solido eram dissipados pelo entusiasmo de um grande amor. Um homem a
abraava com fora. Em seus braos, ela se sentia amparada, protegida, e ele murmurava que a amava e amaria para sempre.
         Uma deliciosa sensao de prazer invadiu-a por inteiro.
         Ela o conhecia desde muito tempo, e o amava. Sentia a segurana necessria para superar as inibies e acarici-lo, sem sentimento de culpa. Podia confessar-lhe
livremente seus desejos e sentimentos.
         Sonhando, Poppy soltou um suave gemido de prazer e aconchegou-se a James. Momentos antes, sentindo-se desconfortvel, despira o roupo inconscientemente
e o atirara no cho.
         James, deitado de costas para ela, ainda acordado, empurrou-a com o corpo para manter distncia.
         No sonho, ela protestou contra a falta de entusiasmo dele e puxou-o pela cintura.
         - #Po-ppyyy... - ele murmurou em tom de aviso.
         James sempre se orgulhara de seu autocontrole. A necessidade de ocultar os prprios sentimentos fora uma coisa que ele aprendera bem jovem, logo que o pai
morrera. Porm, chegava um momento em que todo o autocontrole do mundo no era suficiente, quando nenhum homem...
         James virou-se e sacudiu Poppy pelos ombros. Ela continuou sonhando. Mesmo na penumbra do quarto, ele podia ver-lhe os cabelos desalinhados. Com suavidade,
afastou as mechas que cobriam parcialmente o rosto delicado.
         Poppy sorriu, como se no fosse indiferente quele toque sutil. Com um pequeno movimento, encostou os lbios no ombro dele e abriu levemente a boca, tocando-o
com a lngua.
         Apesar de permanecer calmo, James suspeitava que no suportaria por muito tempo. O roupo que vira jogado ao lado da cama, ao chegar, indicava que ela estava
nua sob o cobertor.
         - Poppy...
         James fez um tremendo esforo para afastar-se, mas, quando se deu conta, estava to perto que seus corpos se tocavam. As mos que deveriam empurr-la para
o lado exploravam as curvas da cintura delgada, dos quadris, das ndegas macias.
         Se ela acordasse, facilmente sentiria o aumento da batidas de seu corao, e de um latejamento em outra parte do corpo.
         James, mesmo percebendo a imprudncia de sua atitude no resistiu. Tomou o rosto de Poppy entre as mos e beijou-a.
         Ela pareceu acordar, sentindo que estava sendo beijada com uma excitao e sensualidade que jamais conhecera antes. Seus lbios moviam-se com avidez. contra
os dele, e os corpos unidos encaixavam-se perfeitamente, como duas peas de um quebra-cabea.
         Respirando com dificuldade, como se fosse perder o flego, sentia o peito dele pressionando-lhe os seios rijos. Debateu-se com excitao, beijando, desejando,
querendo mais e mais.
         Poppy tentou mostrar o que queria, beijando-o apaixonadamente, gemendo de prazer, quando abriu as pernas e freneticamente esfregou-se no corpo msculo.
         Era injusto ele tentar fugir, sabendo o quanto ela o, amava, precisava dele, o queria. Os gemidos de Poppy tornavam-se cada vez mais longos,  medida que
ele correspondia aos seus anseios, fazendo-a tremer da cabea aos ps.
         Devia estar sendo bom para o homem tambm, ela imaginou, porque ele a estava beijando cada vez mais, excitadamente, mordiscava levemente seus lbios, invadia-lhe
a boca com a lngua, enquanto pressionava o corpo entre suas coxas. A cada movimento ertico, ele estremecia, parecendo experimentar incontrolvel prazer.
         Quanto tempo ela esperara por isso? Quantas vezes sonhara que amava e era amada? Todos os anseios e necessidades reprimidas eclodiram dentro dela, inundando-a
como um dilvio.
         - No - ela protestou num sussurro abafado, quando ele deixou de beij-la na boca para beijar-lhe as mos e os braos. - A no.
         - Onde, ento, Poppy?.
         A voz masculina soou diferente, mais profunda, mais rouca. Logo ela descobriu o motivo. Era a voz de um homem estimulado... que a desejava.
         #-Aqui - ela segurou-lhe a mo e levou-a a um dos seios arfantes. - Beije-me aqui.
         - Aqui? - ele, repetiu, espantado.
         Sentir o contato da boca vida acariciando o mamilo intumescido foi algo intenso, quase alm do que ela podia suportar. Seus sentidos, seu corpo, no estavam
preparados para tanto prazer.
         - E este outro? - ele perguntou, deixando um seio e beijando o outro, numa delicada e lenta explorao.
         Daquela vez, a sensao da lngua morna em volta do mamilo fez Poppy realmente soltar um grito agudo de prazer. Ele a apertou com tanta fora, segurando-a
pela cintura, que seus dedos afundaram na carne macia.
         Ela percebia a tenso sexual que estava crescendo em seu interior, traduzida numa aflio que a fazia contorcer-se incontrolavelmente sob as carcias ardentes.
         Como se soubesse exatamente onde toc-la para causar-lhe mais prazer, ele comeou a beij-la no corpo inteiro, at que ela gritou de desespero. No dava
mais para suportar. Seu corpo no agentava mais, estava a ponto de explodir de prazer.
         - Eu no sabia que seria assim - ela confessou, ofegante. - Todos esses anos... Eu no sabia...
         - Voc, no - ele disse, beijando-a suavemente na boca. - Mas eu sabia que seria maravilhoso.
         Em seguida, beijou-a novamente, como ela nunca imaginara ser beijada, transmitindo uma intensa sensao de intimidade e posse.
         O toque ousado, quando ele acariciou-lhe o sexo, foi como um dardo de prazer a penetr-la, fazendo-a encostar-se nele ainda mais, fazendo-a...
         Ela afastou-lhe a mo, enquanto dizia em tom lamentoso - No, isso no...  voc que eu quero... voc...
         Em seguida, vencida pela excitao, puxou-o para cima de si.
         - Assim, Chris! - gritou. - Eu te desejo...
         - Chris?! - James exclamou.
         O som daquele nome produziu nela um prazer indescritvel. Mas por que ele a sacudia pelos ombros?
         - Abra os olhos, Poppy! Eu no sou Chris.
         No, claro que no era. Meio acordada, Poppy aterrorizou-se ao ver a expresso furiosa de James.
         Batendo os dentes de puro terror, sentiu-se paralisada. O crebro tornou-se incapaz de qualquer pensamento lgico.
         Como se estivesse em estado de hipnose, ficou olhando para James, o homem que conhecera seu corpo mais intimamente do que qualquer outro. O homem que despertara
nela o desejo de...
         Ele se afastou. Fisicamente, Poppy ainda no recuperara o estado de total controle, e no queria desistir. Seu corpo queria apenas o prazer que James proporcionava.
         O subconsciente protestava, informando que era Chris que ela amava, entretanto, a carne, fraca, no a ouvia. Sem saber exatamente o que estava acontecendo,
em estado de estranha sonolncia, Poppy agarrou-se novamente a James. Segurando-o, implorava para que no a rejeitasse.
         - No, por favor... Eu quero voc... quero muito...
         As palavras tornaram-se um acompanhamento ritmado de seus movimentos. Ela tentava puxar James para si, o que inacreditavelmente conseguiu. Suspirou, aliviada.
Estava to presa ao propsito de atingir o objetivo que seu corpo procurava, que no conseguia concentrar-se em outra coisa que no fosse a satisfao dos sentidos.
         Ela o queria, precisava dele, sofria por ele. No se preocupava com o que realmente estava dizendo, quando James abraou-a outra vez.
         - Poppy,  meu irmo que voc quer - ele argumentou. - Mas sou o nico que voc tem, o nico que a acariciou, que a excitou, que despertou seu desejo. Sou
o nico que...
         Ouviu-a chorar e calou-se repentinamente, acariciando-lhe os cabelos.
         Ele estava fazendo tudo de propsito, Poppy pensava. Excitara-a deliberadamente, e agora queria humilh-la, mudando de atitude, repudiando-a.
         - No pode fazer isso comigo - ela protestou com os olhos cheios de lgrimas. - No pode me rejeitar sem... no pode...
         James examinava todo seu corpo com o olhar, e com uma das mos cobriu-lhe um dos seios, massageando suavemente o teso mamilo.
         - No posso o qu, Poppy? - perguntou, provocante.
         Ela no estava conseguindo responder. A maneira como ele a tocava era eletrizante, sensual, anulava sua capacidade de pensar.
         - James... James... - Poppy gemeu de prazer.
         - Diga meu nome outra vez, diga que  a mim que voc quer - ele incitou-a.
         No fundo da conscincia, Poppy sabia que tinha de parar com aquilo, tinha de dizer que o detestava, mas no tinha foras para reagir. Estava cega, surda
e muda para tudo, menos para a necessidade que ardia em seu interior. Se ele desistisse de... antes de... ela achava que morreria.
         b
         - Eu quero voc, eu desejo voc - respondeu obedientemente.
         Entregando-se  satisfao do mais imperativo instinto do ser humano, deixaram-se levar por um ritmo cada vez mais intenso.
         Com a aproximao de um xtase desconhecido, Poppy abandonou-se completamente. Deixou-se levar para alm das fronteiras do universo, carregada por uma onda
aps outra de inexplicvel prazer.
         Seu corpo ainda estava trmulo, quando, alguns minutos depois, exausta, mergulhou num sono profundo. O sonho parecia ter acabado.
         James observou-a por mais algum tempo, antes de virar-se de costas, afastando-se o mximo que podia.

CAPTULO IV




  P
#oppy acordou, mas no resistiu  tentao de ficar um pouco mais na cama, sob as cobertas. Alguma coisa lhe dizia que no seria fcil encarar a realidade.
         "No, no  possvel", ela exclamou em voz alta, sentando-se bruscamente, chocada com a lembrana do que lhe acontecera em sonho.
         Entretanto, no ntimo, sabia que tudo fora real demais para ser sonho. O lugar de James, ao lado dela, felizmente estava vazio.
         Onde ele estaria? Devia ter descido para o salo de convenes, concluiu.
         "Acho melhor me levantar e vestir-me, para estar pronta quando ele voltar", pensou.
         A simples idia de encar-lo era suficiente para mexer com seu sistema nervoso e revirar-lhe o estmago. Que vergonha!
         Sentindo o corpo estranham ente dolorido, ela pulou da cama. Todos os detalhes de seu comportamento comearam.a tomar forma mais ntida em sua mente, inclusive
as palavras que dissera.
         Sob o chuveiro, conseguiu lembrar-se claramente da confuso de que fora vtima.
         "No, no posso ter feito isso!", indignou-se. Entretanto, tinha certeza de que fizera.
         "Pensei que ele era Chris", lamentou-se, desesperada.
         S um terrvel engano explicaria sua ilgica e desprezvel atrao sexual por James.
         Eram quase oito horas, quando ela terminou de se arrumar. Tinha que descer para tomar caf, mas a ltima coisa que estava com vontade de fazer era comer.
No, na verdade, o pior de tudo seria encarar James, depois de tudo o que acontecera.
         Tensa, ela esperou que a qualquer momento a porta do quarto se abrisse. No demorou muito para que isso acontecesse, e James entrou.
         Ela tentara preparar-se psicologicamente para o encontro, mas no conseguiu evitar a reao de vergonha; O sangue subiu-lhe ao rosto, enquanto ela olhava
para todos os lados, menos para ele.
         - Eu... ia descer para tomar caf - mentiu, dirigindo-se apressadamente para a porta.
         - Agora, no. Antes, h uma coisa que preciso falar com voc.
         #-No!
         A rapidez e a veemncia de sua negativa traram-na de maneira clara e precisa. Poppy teve certeza disso, quando James estendeu a mo e segurou-a pelo pulso.
         - Deixe-me ir - ela ordenou, furiosa. - Quero que voc...
         - Eu sei. Voc j me disse, durante a noite - ele interrompeu, lutando para domin-la.
         - No foi para voc que eu disse aquilo - Poppy declarou. - Eu...
         Seu corpo tremeu por inteiro, enquanto ela procurava palavras que explicassem com lgica o que fizera, o que dissera. Tinha que haver uma forma razovel
para justificar seu comportamento. Como no conseguiu achar nenhuma que a satisfizesse completamente, Poppy apelou para a nica que, embora perigosa, talvez funcionasse.
         - O que aconteceu a noite passada no foi... Eu sonhei que voc era Chris. Estava sonhando com ele, quando... Voc deve ter percebido, pensei que era ele
- quase gritou, tentando se defender. - Voc deve saber que eu nunca...
         Calou-se, notando a ameaadora expresso de James, a raiva estampada em seu rosto.
         - Continue - ele incentivou. - Estava falando de seu sonho. Pensava que eu era Chris, mas no estava dormindo, quando fizemos amor. Estava, Poppy?
         Ele fez uma pausa.
         - Sabia quem era que estava tocando em voc, dando-lhe prazer - continuou. - Sabia que no era meu irmo.
         - Eu acreditava que era ele - Poppy mentiu, refugiando-se num canto. - Eu... eu queria...
         - Era a mim que voc queria - James interrompeu-a. - Mas prefere mentir para si mesma. Pode enganar qualquer um, Poppy, menos a mim.
         - Eu estava fazendo de conta que voc era Chris! - Poppy declarou em desespero, disposta a no ouvir mais nada.
         - Isso  o que voc diz, minha querida.
         Ele olhou-a de alto a baixo, com seu jeito detestvel.
         Poppy sentiu o corpo tremer de raiva.
         - Na verdade - ele continuou -, agora voc no  mais virgem, no  mesmo, Poppy? E vou dizer mais, no me importo que voc negue. Foi a mim que voc desejou,
ontem  noite... meu corpo...
         - No  verdade. Era Chris que eu queria - ela protestou, ameaando chorar.
         - No foi o que demonstrou - ele lembrou-a sem piedade.
         - Voc percebeu que era em Chris que eu estava pensando, James. Sabe que amo seu irmo. Por que no parou? Por qu?
         - Porque sou homem, Poppy, e quando uma mulher se oferece sexualmente para um homem, como Voc fez...
         Ele fez uma pausa para avaliar a reao dela.
         - Se estiver procurando mais desculpas, sinto muito, Poppy, mas no vai encontrar nenhuma. Eu lhe dei o que voc pediu. O que aconteceu entre ns foi...
         - Aconteceu porque eu pensei que voc fosse Chris - ela teimou.
         - Voc queria que eu fosse ele, mas sabia que no era - James corrigiu.
         - Pare! - Poppy ordenou. - No quero mais falar sobre isso. Quero esquecer tudo o que aconteceu.
         - E voc acha que eu no quero? - James replicou com brutalidade. - Acha que estou gostando de saber que fui usado na cama, como substituto de meu irmo?
Que voc descarregou em mim toda sua frustrao por no ter sido capaz de conquist-lo?
         Poppy ficou chocada com a maneira de James falar. Muitas vezes, ele ficara zangado com ela, fora indelicado, mas nunca falara to brutalmente sobre sexo.
         - No tem mais nada a dizer em sua defesa? - ele perguntou, sarcstico.
         - Eu... No foi bem assim - Poppy protestou. - Voc faz parecer que fui eu quem...
         - E no foi? Bem, voc disse que deseja esquecer o que aconteceu. Espero que seja possvel. Veremos o que nos reserva o futuro - ele filosofou.
         O tom de ameaa na voz de James fez Poppy levantar a cabea. Pela primeira vez, ela o olhou de frente, desde que ele entrara no quarto.
         O que viu foi um olhar gelado como o plo norte.
         - O que est querendo dizer? - perguntou nervosamente.
         - Use a cabea, Poppy. A noite passada ns fizemos... sexo, e, embora voc se faa de ingnua, no pode ignorar as possveis conseqncias.
         - #Con-conseqncias... - Poppy gaguejou ao compreender a extenso do problema. - No, no pode ser! No fizemos...
         - Claro que fizemos. E, apesar de eu nunca ter feito nenhum teste, no duvido de minha eficincia reprodutora.
         - Pare com isso! - Poppy suplicou, cobrindo o rosto com as mos. - Est me assustando. Eu no posso estar... voc no pode ter me...
         Ouvindo-o rir, ela tirou as mos do rosto.
         - Que pena! - ele ironizou. - Coitadinha, no consegue nem achar as palavras. Quer que eu diga o que voc me pediu, ontem  noite? Quanto me implorou para
possu-la?
         - No - Poppy respondeu quase num gemido. - Ainda continuo achando que tudo no passou de um engano.
         - Um engano? Oh, no, Poppy. Voc  que est enganando a si prpria.
         Ele tornava tudo to real que ela ficou tonta, e as pernas bambearam. Porm, quando James tentou ampar-la, ela empurrou-o com raiva, lutando para segurar
as lgrimas que teimavam em cair.
         - No sei como pude confundi-lo com Chris! - Poppy gritou, angustiada. - Vocs no tm nada em comum.
         Ele  bondoso e gentil... nunca faria...
         - Nunca faria o qu, Poppy? Nunca a excitaria como eu, nunca a faria sentir o que significa realmente ser mulher? Era isso que ia dizer?
         - No era nada disso.
         - O que eu acho  que voc no est sendo honesta consigo mesma. Prefere a iluso de um sonho de adolescente. Pense bem, se voc tivesse dormido com Chris,
provavelmente ainda estaria perfeitamente virgem. Mais claro que isso seria impossvel, Poppy. Ele no a quer.
         - E voc me quis - ela provocou nervosamente.
         - Eu queria uma mulher - James replicou com crueldade. - E voc se ofereceu. A cavalo dado no se olham Os dentes.
         - Voc me surpreende - Poppy revidou com sarcasmo. - Nunca pensei que ficaria satisfeito com uma mulher que quer outro homem.
         - Quem disse que fiquei satisfeito? Se realmente est pensando que me deu o mnimo de satisfao, ainda tem muito o que aprender. Apenas, da prxima vez,
no espere que eu seja o professor.
         - No se preocupe - ela replicou, furiosa.
         Porm, intimamente, a raiva estava desaparecendo, dando lugar a uma sensao de vazio. No estava envergonhada apenas pela inexperincia na cama, mas tambm
pela conscincia de sua vulnerabilidade sexual.
         Pelo resto da vida, teria de conviver com a lembrana do que ocorrera entre os dois.
         - No quero nem saber onde vou dormir esta noite, mas aqui  que no ser - ela avisou, categrica.
         - Qual o problema? - ele perguntou mansamente. - Est com medo de descobrir que no  Chris que voc realmente quer?
         #-No.
         A caminho do salo de convenes, Poppy imaginava que no era realmente aquele o motivo pelo qual no queria dormir com James uma segunda vez. Sabia que
desejava outro homem, outro corpo. Mas, no entanto...
         Ela deu um suspiro profundo, incapaz de negar a si mesma que desejara James alucinadamente. Sabia quem ele era e mesmo assim permitira...
         - Ei, voc est bem? - algum perguntou em alemo. Ela percebeu que fechara os olhos. Abriu-os depressa e viu-se diante de Gunther.
         - Desculpe, eu estava distrada.
         - No precisa se desculpar - ele declarou com um sorriso charmoso. - Poppy, eu gostaria de falar com voc.
         - No v dizer que precisa de meus servios como tradutora - ela brincou.
         Estava feliz em conversar com outra pessoa. Ajudaria a tirar da cabea os acontecimentos da noite anterior.
         - Se disser, no vou acreditar - continuou. - Seu ingls  muito bom.
         - No  isso - Gunther explicou. - Na realidade, queria convid-la para jantar comigo hoje  noite. Jantar com esse jovem bonito seria bom, Poppy pensou.
- Eu adoraria - respondeu com sinceridade. Qualquer coisa, qualquer pessoa, seria bem-vinda se fosse para mant-la longe de James.
         - Poppy, se j terminou a parte social...
         A voz de James ecoou como um aoite atrs dela, fazendo Poppy estremecer de puro nervosismo. Gunther olhou-a, levemente confuso.
         - Estamos aqui para trabalhar - James lembrou-a. - Tenho uma reunio importante com clientes japoneses, em quinze minutos. Quero que esteja l, como intrprete.
Alm disso, precisamos conversar sobre umas coisas, antes.
         - Estarei l num instante, James.
         Poppy tentou controlar-se, aceitando com altivez a ordem. de James. Podia ser sua prima e empregada da empresa da famlia, mas ainda se orgulhava de ter
personalidade prpria.
         Dirigindo-se a Gunther, confirmou que jantaria com ele.
         - Vou adorar jantar com voc, Gunther. s oito est bom?
         Em vez de ir embora e deixar que ela terminasse a conversa com o jovem alemo, James ficara esperando, Como se fosse um carcereiro. Poppy, empertigada,
acompanhou-o na direo do estande.
         - Se  na cama de Gunther que est pretendendo dormir esta noite, Poppy, suspeito que no v ser possvel - ele disse cinicamente.
         Enquanto falava, James segurou-a pelo brao, guiando-a entre os grupos de pessoas.
         - Desconfio que no tero muita privacidade, nem espao na cama - continuou. - O gerente do hotel mandou colocar uma cama extra no quarto dele, devido 
superlotao.
         - Como ousa insinuar isso? - Poppy repreendeu-o, sentindo-se corar de vergonha. - S porque dormimos na mesma cama uma noite, no quer dizer que sou obrigada
a sair por a, fazendo sexo com qualquer um.
         - Verdade? Voc me deixa surpreso - James ironizou. - Eu no faria esse juzo, se no conhecesse seu costume de usar um homem em lugar de outro.
         Poppy teve uma reao inesperada. Numa frao de segundo, sua mo subiu e caiu violentamente sobre o rosto dele. Com os olhos marejados, ficou perplexa,
sem acreditar no que acabara de fazer.
         O estalido do tapa chamou a ateno das pessoas em volta. Entretanto, a nica coisa que ela conseguia ver era a apavorante tranqilidade de James. A frieza
de seu olhar era enregelante. Poppy sentiu-se paralisada.
         - Como voc  previsvel e antiquada, Poppy - ele comentou por fim. - Sabe, tenho novidades para voc. Como inocente e inexperiente virgem, voc saiu-se
muito bem, apesar de seu comportamento sexual estereotipado.
         Ele fez uma pausa para observ-la.
         - Entretanto, agora que no pode mais alegar seu estado virginal mumificado, precisa saber de uma coisa. A agresso fsica cometida por uma mulher pode
significar muita coisa para um homem. Pode significar que ela o deseja.
         - No - Poppy discordou com veemncia.
         - Sim - James insistiu. - Em vez de continuar negando, oua o que estou dizendo. Mesmo no tempo em que era aceitvel a mulher bater na cara de um homem,
ela sabia muito bem que podia estar usando uma faca de dois gumes.
         Respirou fundo antes de continuar.
         - O homem tanto podia entender como uma repreenso, como tambm podia beij-la para acalmar-lhe os nimos.
         Ele riu, ao v-la fitando-o com ar de espanto.
         - Poppy, no me diga que nunca leu um livro, ou assistiu a um filme, em que o heri devolve um tapa recebido com um beijo de tirar o flego?
         - Isso  fico - ela protestou, dando de ombros. - E, alm do mais, voc... no  nenhum heri.
         - E voc tambm no  nenhuma herona, certo? - James complementou. - Mas, na prxima vez em que tiver vontade de descarregar em mim seu mau-humor, lembre-se
de que posso pensar que est com segundas intenes.
         - E da? Vai me beijar?
         Poppy deu de ombros, em atitude de desdm.
         - No - ele negou calmamente. - No vou beij-la, simplesmente. Vou deit-la numa cama e...
         - E o qu? - Poppy perguntou em tom de desafio, tentando esconder o medo. - Vai me estuprar?
         - Oh, no seria estupro. No, com voc gritando aos quatro ventos que me quer, me deseja, pedindo para que eu...
         Poppy pensou que ia desmaiar. Chegou a sentir um calafrio invadindo seu corpo. Fechando os olhos, usou toda sua energia para superar a fraqueza que j comeava
a domin-la. No queria passar por mais uma vergonha.
         - Eu.te odeio, James - declarou, apertando os dentes. - Odeio como nunca odiei algum, em toda minha vida.
         Ela estava desesperada, pensando em deix-lo sozinho e desaparecer na multido. Seria fcil escapar dele, mas por quanto tempo ficaria livre?
         No. A melhor maneira de trat-lo era agir com indiferena, ignor-lo, manter distncia e esquecer completamente o que acontecera. Tinha que banir da mente,
para sempre, o episdio da noite anterior.

         - Ento, o que est achando da conveno?
         Poppy respondeu  pergunta de Gunther apenas com um trejeito dos lbios, como a dizer "mais ou menos".
         - Estou gostando - ele informou. - Mas no sei se estou fazendo o que realmente gosto. Na universidade, sonhava em ser escritor. Meus pais, porm, diziam
que eu precisava pensar no futuro e, como est difcil arrumar um bom emprego na Alemanha...
         Deu de ombros, e Poppy sorriu.
         - No quero aborrec-la, falando s de mim. Gostaria de saber um pouco mais de voc.
         - No h muito o que saber - Poppy confessou.
         O que havia de novidade acontecera nas ltimas vinte e quatro horas, ela pensou, mas no era o tipo de coisa para se conversar com qualquer um.
         Era uma sorte os clientes japoneses, com quem James estava jantando, terem seus prprios intrpretes. Mas Poppy ficara levemente irritada ao ver a maneira
como James olhava para a atraente japonesa que traduzia o que ele e o homem a seu lado falavam.
         Parecia que ele tinha mais respeito pelo profissionalismo da japonesa do que pelo de Poppy, que sempre defendera os interesses da empresa.
         - Parece que est com raiva - Gunther observou. - Foi algo que eu disse?
         - Estava pensando em outra coisa, outra pessoa - Poppy. admitiu.
         - E uma pena que tenha havido tanta confuso e falta de organizao aqui no hotel - ele comentou.
         Poppy concordou com um gesto de cabea.
         - De fato, certas coisas foram muito desagradveis.
         - Estive pensando em alugar um carro para conhecer as redondezas - Gunther disse. - No quer me acompanhar?
         Poppy sentiu-se tentada a aceitar o convite, mesmo que fosse apenas para ficar longe de James. Porm, levava seu trabalho a srio. Se estivesse ali com
Chris, ou com qualquer outro membro da empresa, no pensaria em usar Gunther para afastar-se do trabalho. Pensando assim, ela recusou o convite, com um gesto negativo
de cabea.
         - Se mudar de idia,  s me dizer.
         - Obrigada. Voc  muito gentil.
         Demoraram-se mais do que os outros, no salo de jantar. Poppy no queria retomar ao quarto muito cedo. No entanto, chegou o momento de dar o jantar por
terminado, e ela e Gunther despediram-se.
         Ao chegar ao seu andar, Poppy rezou para que James ainda no houvesse subido para o quarto. Trmula de nervosismo, quase no conseguiu introduzir o carto
magntico na fenda. Entretanto, quando a porta se abriu, ela viu, aliviada, que no havia nem sinal de James.
         Tratou de tomar uma ducha rpida. Depois que se enxugou e vestiu o roupo, ficou alguns minutos observando a enorme cama, em todos os seus detalhes. O corao
bateu to forte que ela, automaticamente, levou a mo ao peito tentando aliviar a ansiedade.
         No podia dormir outra vez com James, pensou.
         Tremendo, removeu da cama um pesado acolchoado e arrumou-o no cho, esperando que James no chegasse naquele momento.
         Mesmo dobrado, o acolchoado no era suficiente para amenizar a dureza do mrmore. Pelo menos, era um jeito de mostrar a James que, apesar de suas insinuaes,
ela no estava disposta a repetir os acontecimentos da noite anterior.
         Entretanto, deitada no escuro do quarto, Poppy descobriu que nem todas as insinuaes eram mentirosas. Ela implorara para que fizessem amor e correspondera
plenamente, desejara-o, insistira para chegarem s ltimas conseqncias.
         "Tudo porque eu queria que ele fosse Chris", comentou consigo mesma.
         L
         No fundo, sabia que era James, e nada fizera para interromper a marcha dos acontecimentos.
         Era impossvel compreender como tudo acontecera, por que motivo o estimulara a... fazer sexo, a transport-la para um lugar que ela nunca imaginara existir.
         Impossvel? Nem tanto assim. Ele bem se lembrava do fogo que ameaara consumi-la, do desejo abrasador que a dominara.

         Estava quase amanhecendo, quando Poppy acordou, abraada ao travesseiro, como se abraasse algum. O corpo todo doa.
         Com movimentos rpidos, livrou-se do travesseiro e levantou a cabea para ver se James estava dormindo. Para sua surpresa, viu que a cama estava vazia.
         Se ele no voltara para o quarto, onde passara a noite? Por alguma razo, Poppy pensou na japonesa que vira sorrindo para James durante o jantar.
         Teriam passado a noite juntos? Nenhum dos dois fizera o menor esforo para esconder o fato de que se achavam atrados um pelo outro. Poppy notara a mensagem
sutil, a maneira como ela tocara no brao de James, chamando a ateno dele para um comentrio qualquer.
         "Bem, que faam bom proveito", ela pensou com falso desdm.
         Lamentava apenas no ter sabido antes. Poderia ter dormido confortavelmente na cama e tido uma boa noite de sono.
         Sim, que fizessem bom proveito, Poppy reafirmou mentalmente. Seria hbito de James dormir cada noite com uma mulher diferente? Parecia falta de carter,
concluiu com amargura.
         Foi uma sensao estranha e desagradvel, a que Poppy sentiu, ao imaginar que James podia estar dormindo com outra mulher. Estranha, porque era a mesma
sensao que costumava sentir em relao a Chris. Desagradvel, porque... porque...
         Claro que no era cime, Poppy pensou, passando para a cama e levando o acolchoado consigo. Como poderia ser?
         Entretanto, ao tentar dormir novamente, quanto mais pensava no querido rosto de Chris, mais via o de James.
         - No! - ela negou em voz alta. - No, no, no!

CAPTULO V




  A
h, James, que bom rev-lo! Foi timo, ontem  noite, no foi?
         Poppy tentou no ficar boquiaberta, quando a intrprete japonesa apareceu no estande. Os olhos brilhantes da mulher emanavam emoes muito femininas, quando
ela estendeu a mo para James. Poppy irritou-se, vendo a maneira cerimoniosa com que ele se curvou, sorrindo.
         James aparecera pela manh, no salo de refeies, quando Poppy acabava de tomar o caf. Sentara-se  mesa e comera calmamente, sem dar nenhuma explicao
sobre sua ausncia na noite anterior.
         A intrprete japonesa sorriu, dizendo que ia voltar para junto dos colegas. Ento, antes de sair, curvou-se provocadoramente para James e murmurou:
         - Tenho algum tempo livre esta tarde. Voc disse que alugou um carro...
         Poppy esperou que ele se esquivasse, dizendo que estaria ocupado, mas isso no aconteceu.
         - Aluguei, sim. A que horas estar livre?
         A mulher respondeu e afastou-se, e James seguiu-a com o olhar. Poppy no resistiu  tentao de alfinet-lo:
         - Pensei ter ouvido voc dizer que viemos aqui para trabalhar.
         - Qual  o problema? - ele perguntou. - No est com cime, est?
         - Por que estaria? Faam bom proveito um do outro. Suponho que ficou com ela a noite passada.
         - E se tivesse ficado? - James enfrentou-a. -  de sua conta?
         Por alguma razo que no conseguia definir, Poppy achou que ele estava muito calmo. James parecia estar se divertindo, o que para ela era uma atitude no
s enfurecedora como, tambm, humilhante.
         - Para ser franca,  da minha conta, sim - ela respondeu, furiosa. - Para voc, pode no fazer diferena, andar de cama em cama, passar de mulher para mulher,
se achando um garanho. Eu, porm, no sou promscua, tenho que pensar na minha sade e...
         -  mesmo? - James interrompeu-a. - Acho estranho, porque naquela noite no me deu a impresso de que sua sade estivesse em primeiro lugar.
         - Foi porque...
         Ela comeou a defender-se, mas J ames no deixou que terminasse.
         - J sei, pensava que eu era Chris - ele concluiu. - Mas tenho mais coisas a dizer, Poppy. No quero me fazer de santo, mas numa comparao entre mim e
Chris, suspeito que ele sair ganhando, se contarmos nossas parceiras de cama. Como v, as chances de colocar sua sade em perigo seriam maiores com ele do que comigo.
         - No acredito em voc - ela sibilou. - Chris nunca... ele no  como voc. No dormiria com uma mulher somente por sexo.
         - Eu no disse isso - James corrigiu. - O que eu disse foi que provavelmente ele teve maior nmero de parceiras. Para seu conhecimento, devo dizer que .
tambm no durmo com uma mulher somente por sexo.
         A maneira como ele a olhava era quase um aviso para Poppy no argumentar mais nada, mas ela estava com         muita raiva para se calar.
         - Fez isso comigo - atacou.
         Por um momento, pensou que James no fosse replicar. Afinal, o que mais ele poderia dizer?
         Logo ela descobriu.
         - Fiz... sexo... com... voc - ele falou pausadamente, destacando as palavras de propsito para causar maior impacto - porque voc no me deu outra alternativa.
         - Diz isso s para me humilhar - Poppy protestou, quase chorando de vergonha.
         - No, Poppy. H um ponto em que um homem, qualquer homem, no consegue parar.  um fato difcil de negar, e cheguei a esse ponto porque voc... quis.
         - No queria voc - ela interrompeu bruscamente. - Nunca poderia querer.
         Com um rodopio, saiu abruptamente do estande. Recusando-se a atender ao chamado de James, afastou-se rapidamente, quase correndo.
         Como ele ousava dizer aquelas coisas, horrveis, se sabia... Bem, que fosse passar o dia com a nova amiga japonesa. Que passassem uma boa noite tambm.
Poppy apenas esperava que sua noite tambm fosse boa.
         - Poppy, o que est acontecendo? Algo errado?
         Quando ela olhou para a expresso preocupada do gentil Gunther, que aparecera a sua frente, tomou uma deciso.
         - Gunther, se o convite ainda estiver de p, mudei de idia. Gostaria de ir passear com voc.
         - Ser um prazer - ele respondeu com um amplo sorriso. - Estarei livre aps as duas horas.
         - timo - Poppy aprovou.
         At l, ela teria terminado a traduo pedida por James. Assim, ele no teria como acus-la de no fazer seu trabalho. No poderia acus-la de nada, ela
pensou. L no fundo, porm, uma voz lhe dizia que, embora no fosse perigoso sair com Gunther, no mnimo era uma atitude irresponsvel.
         Mas, se James tinha tempo para divertir-se com a amiga japonesa, ela tambm podia fazer algo parecido.
         Era quase meio-dia, quando James entrou no quarto. Poppy ainda estava s voltas com a traduo, que se mostrara mais complexa do que ela esperara.
         - Ainda no terminou, Poppy? - ele perguntou em tom acusador.
         - Estou quase acabando - ela respondeu secamente.
         Notou a maneira como ele franziu as sobrancelhas, ao dar uma rpida olhada nos papis.
         - Se no estiver satisfeito, James, ou se acha que poderia fazer melhor...
         - Se eu pudesse, a empresa no precisaria pagar uma tradutora - ele respondeu. - E digo mais, Poppy. Temos que separar as coisas. Somos primos, mas no
se esquea de que sou o patro e voc, a empregada.
         Ele olhou para a traduo.
         - Voc se orgulha em dizer que conseguiu o emprego por seus prprios mritos, no pela influncia de sua me. Agora, tenho notado que no se incomoda de
misturar nosso relacionamento familiar com negcios.
         -  voc quem est fazendo isso, no eu - Poppy defendeu-se imediatamente. - Se no fssemos primos, de maneira alguma voc me foraria a dormir na sua
cama e...
         Pela expresso de James, ela percebeu que ele no gostara do que acabara de ouvir.
         Bem-feito, pensou. Foi ele quem tocou no assunto.
         - Sabe qual  seu problema, J ames? - perguntou provocadoramente. - Voc  controlador, mas no conseguir me controlar. Ningum consegue.
         - Ningum - James concordou, friamente. - Nem voc mesma.
         Quando ele a olhou, Poppy lembrou-se de que perdera o autocontrole momentos antes, quando sara do estande quase correndo.
         - Pensei ter ouvido que ia sair com sua amiga japonesa - ela comentou, enquanto reunia os papis.
         - E vou - James confirmou, olhando para o relgio.
         - Terminou, agora? Est tudo aqui?
         - Est - Poppy confirmou, notando que ele estava ansioso para sair.

         - Mais vinho?
         Poppy sorriu, fez um gesto negativo de cabea e tampou com a mo o copo quase vazio.
         - Acho que tambm no vou beber mais - Gunther disse. - Principalmente porque vou dirigir.
         Eles tinham viajado durante quase duas horas pela zona rural, at pararem em uma linda cidadezinha que mais parecia um cenrio de filme ou opereta.
         Como dois colegiais em frias, viram tudo o que foi possvel e tomaram um delicioso sorvete caseiro.
         Na volta, por sugesto de Gunther, fizeram uma proviso de vinho, po, queijo e frutas, para um piquenique  margem de um rio por onde haviam passado.
         Agora, sem saber ao certo quanto tempo haviam levado para saborear a refeio ao ar livre, Poppy calculou que estava ficando tarde.
         - Acho que temos de ir - sugeriu.
         - E se eu me recusar? - Gunther brincou. - E se eu disser que quero mant-la aqui para sempre?
         Mesmo rindo, Poppy no conseguia livrar-se da tristeza. O passeio lhe proporcionara um novo alento, mas no havia como escapar da sua infelicidade. Gunther,
apesar de gentil, no era preo para um homem como James.
         James?! Poppy arrepiou-se. Por que lembrara-se dele, no momento da quase declarao de Gunther? Certamente no era James, mas seu amor por Chris, que se
colocava entre ela e qualquer homem que lhe mostrasse interesse.
         - Poppy, o que h? - Gunther perguntou, hesitante. - Parece to... to triste. Se for algum problema, se eu puder fazer algo para ajudar...
         - No... No  nada - Poppy assegurou depressa. O que Gunther diria, se soubesse da verdade? O que pensaria dela? Os amigos, a famlia, Chris, o que pensariam,
se soubessem do que acontecera entre ela e James? Eles nunca saberiam, Poppy jurou, mentalmente.
         Quando levantou-se e ajudou Gunther a reunir o que sobrara do piquenique, sentiu-se ainda mais ansiosa. Como uma faca pontiaguda, a angstia parecia penetrar-lhe
o corao e fustigar-lhe o ntimo com uma sensao de vergonha e perplexidade.
         Como pudera comportar-se daquela maneira com James? Como pudera desej-lo? Se houvesse uma maneira para isso, varreria da memria os acontecimentos daquela
noite.
         Era tarde, Poppy refletiu, quando entraram no carro para voltar ao hotel. Comeava a escurecer. Ainda bem que j haviam comido, pensou, olhando para o relgio
no painel do carro e vendo que eram seis e meia. Provavelmente chegariam tarde para o jantar.
         Eram dez horas da noite, quando Gunther parou o carro no estacionamento do hotel. Um erro de itinerrio acrescentara alguns quilmetros ao percurso, causando
quase uma hora de atraso. Poppy esperava que James estivesse ocupado com a japonesa e no percebesse que ela estivera gazeteando.
         - Obrigada, foi uma tarde maravilhosa - ela agradeceu, esquivando-se de Gunther, quando ele tentou abra-la pela cintura.
         Percebeu o desapontamento nos olhos dele, mas o jovem felizmente no insistiu e apenas acompanhou-a at o hotel. Chegando ao saguo, Poppy olhou em volta,
mas no viu nem sinal de James.
         - Lamento que meu erro de percurso tenha feito voc perder o jantar - Gunther desculpou-se. - Mas, talvez...
         - Tudo bem, Gunther - ela afirmou. - Depois de um delicioso piquenique como aquele, certamente eu no comeria mais nada.
         Se fosse direto para o quarto, Poppy pensou, tomaria um banho rpido e, com um pouco de sorte, cairia no sono antes de James chegar. Isto , se ele ia passar
a noite com ela.
         Com ela? Poppy sentiu o sangue esquentar nas veias, enquanto andava apressadamente na direo do elevador.
         Saindo do elevador, percorreu a pequena distncia, inseriu o carto magntico e empurrou a porta.
         - Onde voc esteve?
         O susto pela inesperada presena de J ames deixou Poppy surpresa, sem palavras.
         - Por onde andou, Poppy? - ele tornou a perguntar.
         - Eu... eu... sa - ela respondeu, alarmada com a fria dele.
         - Saiu para onde?
         - Eu... Gunther... sa com Gunther. Ele alugou um carro para a tarde e queria...
         - Conte os detalhes. Posso imaginar o que ele queria. A julgar pela sua aparncia e pelo tempo que demoraram, acho que conseguiu. Foi bom, Poppy? Pediu
para ele? Implorou?
         Antes de saber o que estava fazendo, Poppy voou para cima de James e aplicou-lhe um violento tapa no rosto.
         Em vez de retrair-se, reconhecendo que a ofendera, ele reagiu da forma mais inesperada possvel.
         Com um movimento rpido de felino, agarrou-a pelos braos e num golpe brusco atirou-a sobre a cama. Quando curvou-se sobre ela, Poppy focalizou-lhe os olhos
castanhos, que pareciam ter o dom de paralis-la de terror.
         - Eu avisei o que poderia acontecer, se fizesse isso novamente, Poppy.
         Ento, James deixou o corpo cair sobre o dela.
         - Eu sei por que est fazendo isso - Poppy protestou. -  para me punir. Seu ego no admite saber que no o quero.
         - Foi o que disse ao seu amigo alemo? - James replicou.
         - Gunther e eu apenas passamos a tarde juntos. Ns no... ele no ...
         Poppy ficou tensa, ao perceber que os esforos para se libertar levantaram-lhe a saia, deixando as coxas a descoberto.
         - Solte-me, James - implorou, vendo como ele olhava para seu corpo. - Voc no me quer, no pode...
         - Quem disse que no posso? - James provocou. - Sou homem. No h nada mais ertico e estimulante do que ouvir a mulher dizer que o quer, o deseja e quer
que a satisfaa sexualmente.
         - No foi isso que eu quis dizer - Poppy negou, em pnico. - No posso fazer isso... no te quero...
         - Mentirosa.
         Para provar que ela estava mentindo, segurou-a com uma s mo, e deslizou a outra sobre seu corpo trmulo.
         O calor da mo espalmada na coxa nua e sensvel, fez Poppy tremer da cabea aos ps, o que ela classificou de ultrajante. Entretanto, quando ele subiu a
mo at logo abaixo dos seios, Poppy concluiu que realmente estava mentindo para si mesma.
         - Eu no posso querer algum como voc... . Ela no percebera que as palavras tinham sado num murmrio audvel.
         - Cuidado, Poppy. No fao voc engolir as palavras porque...
         - Eu no te quero, James - ela declarou audaciosamente.
         Entretanto, quando ele comeou a desabotoar-lhe a blusa, Poppy sabia que estava mentindo, e que James tambm sabia.
         Ele afastou-lhe a blusa, revelando as curvas sensuais dos seios. Ela tentou no se excitar, quando ele curvou-se para beij-los.
         #-No!
         Mesmo negando e debatendo-se de um lado para outro, Poppy sentia o efeito ertico e sensual que a boca de James produzia em seu corpo trmulo.
         Levada por um redemoinho de sensaes, no percebeu que ele removera-lhe a saia, at sentir o frio do ar-condicionado na pele.
         Quando James comeou a tirar a camisa, Poppy virou o rosto e ficou estarrecida ao ver a imagem refletida no espelho da parede.
         Era mesmo ela, aquela criatura de cabelos revoltos, lbios cheios e vermelhos? Era ela, aquela mulher com os mamilos eroticamente eretos, sobressaindo na
pele clara, em contraste com a colcha escarlate?
         Mesmo a seus prprios olhos, havia naquela imagem um abandono voluptuoso. Era uma sensualidade quase chocante, ela reconheceu, observando a calcinha branca,
mais um convite do que uma barreira.
         - O que est olhando? - James perguntou, aps livrar-se da camisa e da cala.
         No espelho se refletiram os dois corpos, agora deitados lado a lado.
         - Ah, gosta de se admirar, no  Poppy? - ele zombou.
         - Gosta de ficar olhando, enquanto...
         - No - ela protestou.
         Um calor intenso subiu-lhe ao rosto, quando ouviu-o rir, e sentiu os dedos longos correrem suavemente sobre sua pele.
         - Lembre-se do que eu disse sobre fazer voc engolir as palavras - ele recordou. - Gostaria que eu fizesse, Poppy?
         A mo dele pousara entre as pernas dela, mais exatamente sobre o sexo. No estava acariciando, mas simplesmente pousada l. Era o bastante para que Poppy
sentisse a pulsao acelerar intensamente.
                 Ele estava nu. O corpo duro e musculoso formava um perfeito contraste com o dela.
         O desejo de toc-lo era forte, quase compulsivo. Timidamente, seus dedos trmulos finalmente entraram em contato com o corpo de James.
         Ele foi sacudido por um violento tremor. Surpresa, Poppy ficou olhando-o, com os seios arfando, a respirao cada vez mais rpida. Seu corpo reagiu instintivamente,
quando ela percebeu a excitao dele.
         Por alguma razo, o desejo de James assustou-a.
         Por outro lado, excitou-a mais, ela reconheceu, sem saber que seus olhos estavam refletindo suas emoes.
         Qualquer protesto que ela tentasse fazer morreria na garganta, quando ele puxou seu corpo para junto do dele.
                 Enquanto estremecia de prazer em seus braos, Poppy, correspondia aos beijos e carcias, entregando-se de corpo e alma.
                 De um momento para outro James interrompeu o beijo e desafiou:
         - Agora diga que no me quer, que deseja meu ir        mo. Olhe - ele ordenou, virando-lhe o rosto para o espelho.
                 Poppy sentiu um arrepio ao ver-se colada a. ele, numa atitude de nsia e desejo.
         - No, no  isso que eu quero - protestou. - No         pode ser. No  voc que eu quero...
         Enquanto tentava afastar James e libertar-se, Poppy viu raiva no olhar dele, ou talvez uma emoo mais forte ainda, que no soube definir.
         - Por que est fazendo isso comigo, James? - Lamentou-se. - Voc no gosta de mim!
         Fez uma pausa.
         - O que aconteceu? Levou um fora da japonesa? Se foi isso, no  minha culpa. No venha descarregar em mim as suas frustraes.
         - Por que no? - James provocou. - Tenho direito de us-la do mesmo jeito que voc me usou.
         - Isso no  justo... no ... no  verdade. O que aconteceu naquela noite foi um engano.
         - Ah, foi? Bem, desta vez no pode alegar que  engano - ele declarou. - Olhe para o espelho. O que est vendo?
         Poppy sentiu o corpo estremecer. Como podia dizer o que estava vendo? Como podia humilhar-se, confessando que estava morrendo de desejo por aquele homem?
         E no era Chris, era James, a quem nunca pensara entregar seu corpo. O que lhe acontecera, para perder completamente o autocontrole? Sentia-se trada pela
prpria carne.
         - Na outra noite, voc disse que queria fazer amor comigo - James lembrou. - Se repetir as mesmas palavras agora, no vai ter como recuar, alegando pensar
que sou Chris.
         Ento, era por isso que ele a estava torturando, ela concluiu. O orgulho masculino no o deixava aceitar a idia de que uma mulher, qualquer mulher, pudesse
preferir outro homem.
         - Diga outra vez, Poppy, diga que me quer - ele ordenou, beijando-a no pescoo.
         No, ela se recusou mentalmente, apavorada com a possibilidade de perder o controle a qualquer momento.
         O que ele estava fazendo era um verdadeiro assalto s suas defesas.
         O reflexo no espelho mostrava-a debatendo-se, esforando-se para escapar das mos de James. Porm, os movimentos ficavam cada vez mais fracos, como se as
foras estivessem sendo subjugadas por um poder extraordinrio.
         Quando sentiu o calor da boca que a beijava na altura do umbigo, gritou desesperada para que ele parasse. Entretanto, James j estava tirando-lhe a sumria
calcinha. Quase sem foras, ela olhou e viu o contraste de suas coxas brancas com os plos escuros de James.
         Um forte espasmo eclodiu dentro dela, fazendo seu corpo sacudir visivelmente.
         - No, por favor, no - ela murmurou.
         Seus protestos pareciam no ser ouvidos. Ele j estava beijando a sensvel parte interna de suas coxas, ao mesmo tempo que tocava seu sexo com a palma da
mo. Poppy estremeceu inteira, sucumbindo  paradoxal sensao de angstia e prazer.
         Mesmo sabendo o que estava para acontecer, e o preo que pagaria, ela sentia que estava perdendo a batalha. Sua ltima reao, quando ele aproximou os lbios
da parte mais ntima do seu corpo, foi gritar que no agentava mais. Desesperada, no podia suportar tanto prazer.
         - James... James! - ela chamou, murmurando palavras sem nexo, quando ele colocou-se sobre seu corpo, beijando-lhe os seios e depois os lbios.
         - James... James...
         Seu corpo estava trmulo, vazio... esperando por ele.
         - Diga, Poppy - ele ordenou. - Diga as palavras.
         - Eu quero voc... eu quero voc... eu quero voc... As palavras tornaram-se quase um gemido, pois as investidas de James em seu corpo j provocavam ondas
de prazer dentro dela.
         Poppy gritou novamente o nome de James, quando chegou ao clmax. De um momento para outro, sentiu-se fraca, sem energia, e relaxou o corpo sobre a cama,
extenuada.
         Pelo espelho, observou seus corpos ainda unidos. Lgrimas escorriam por seu rosto. O que fizera? No que se tornara? Um pouco antes de dormir, ela percebeu
que nem se lembrara de Chris, desde que James comeara a acarici-la.
         Depois do que acabara de fazer, no podia mais acreditar na pureza de seu amor por Chris, pensou, antes de cair num sono profundo.

CAPITULO VI




  P
#oppy, quer vir ao meu escritrio, por favor? Temos que discutir uns assuntos.
         Nervosa, Poppy sentiu as mos midas de suor, em contato com o telefone.
         - Tem que ser agora, James?  que estou quase terminando a correspondncia dos japoneses que voc quer e...
         - Agora, Poppy - ele interrompeu, bruscamente.
         Ao recolocar o fone no gancho, ela olhou distrada pela janela. Por um momento, sua mente no registrou a perfeio da grama, circundando o arranjo de plantas
coloridas que decorava o estacionamento da empresa.
         Fazia quase dois meses e meio que tinham voltado da Itlia. Esse tempo era mais do que suficiente para ela pelo menos comear a esquecer o que acontecera
na viagem. Entretanto, sempre que possvel, tentava evitar a presena de James, desconfiando que ele tambm estava fazendo o mesmo.
         Empurrando a cadeira para trs, levantou-se e comprimiu os maxilares, numa atitude visivelmente tensa. A expectativa de encontr-lo no mnimo alterava o
ritmo de seu corao.
         James era diferente da maioria dos dirigentes de empresa. Preferia que seu escritrio ficasse no andar trreo do prdio. Ajudava a firmar os ps no cho,
ele justificara a Poppy com austeridade, quando fora questionado sobre o assunto.
         - O sucesso de uma empresa  como uma pirmide - ele acrescentara. - As pessoas de cima esto em posio mais vulnervel, a menos que a base seja slida
e capaz de sustentar o resto da estrutura.
         Na poca, ainda adolescente, Poppy no entendera claramente a explicao. Agora o entendia bem e, embora com um pouco de relutncia, tinha que respeit-lo
por isso.
         Enquanto descia apressada os dois lances de escada at o trreo, ela imaginava o que James queria lhe falar. No podia ser sobre o documento em que ela
estava trabalhando. Ainda no estava pronto.
         Ao passar pelo corredor, notou que a porta do escritrio de Chris estava aberta. Fiel ao voto que fizera, desde o casamento, resistiu  tentao de verificar
se ele estava l.
         No havia nem sinal da secretria, quando chegou  ante-sala do escritrio de James. A porta estava fechada. Ela bateu e entrou.
         James estava sentado  escrivaninha, em sua cadeira que, como o resto dos mveis, era simples e funcional Ele no gostava de gastar dinheiro da empresa
com coisas de luxo, mas nem por isso a aura de poder que emanava dele era menor.
         Ele era seu primo, tanto quanto era seu patro. Seria ridculo comportar-se como uma aluna chamada  diretoria da escola, Poppy pensou, enquanto esperava
que ele lhe dirigisse a palavra.
         Havia alguns papis em cima da mesa, e seu corao palpitou, pois um deles tinha o logotipo do #spa italiano.
         - Stewart Thomas veio falar comigo hoje de manh - James informou, referindo-se ao contador da empresa.
         O susto de Poppy foi grande. Ela enviara as despesas trimestrais de seu departamento ao setor de contabilidade na semana anterior. Sempre fora cuidadosa,
mas uma vez James chamara-lhe a ateno por colocar uma despesa particular de gasolina na conta da empresa, por engano. Desde ento, seu temor era de cometer o mesmo
erro, acidentalmente.
         - Se foi por causa de minhas contas - ela comeou, #timidamente-, eu...
         - No, Poppy, no  sobre as contas que quero falar.  sobre isto. - Ele entregou-lhe a carta que estava na mesa.
                 -  a despesa do hotel italiano - ela reconheceu. - Entendi que no precisava pagar nada do meu bolso. Voc...
         - No tem nada a ver com suas despesas pessoais, Poppy. Leia com ateno. Ou prefere que eu diga? Talvez seja melhor, economizaremos tempo - ele ironizou.
- "Sr. e sra. #Carlton, um quarto de casal".
         Poppy ficou lvida, no pelo que ouvira, mas pela acidez com que ele dissera as palavras.
         - Mas... est errado. Eles se enganaram. Voc mesmo disse... voc disse...
         - No interessa o que eu disse - James replicou. - O que interessa  a interpretao de Stewart, ou de qualquer pessoa que leu isto.
         Poppy estava indignada.
         - Mas voc pagou tudo, antes de sair! Eles deram um recibo de quitao e...
         - E agora mandaram um demonstrativo da conta paga - James completou. - S Deus sabe quantas pessoas viram isto, at chegar  mesa de Stewart.
         - Voc explicou o que aconteceu? Que o gerente se enganou, que o hotel estava lotado? .
         - Claro, claro - James confirmou. - Mas...
         Interrompeu-se, quando a porta do escritrio se abriu e Chris entrou na sala, aparentemente confuso.
         - James, no sei o que est acontecendo, mas acabei de ouvir que...
         Percebendo a presena de Poppy, Chris fez uma pausa. - Tudo bem, Chris, o que voc ouviu? - James perguntou.
         - Bem, acho que deve ser fofoca. Quando passei pelo escritrio geral, ouvi uma das garotas dizer que voc e Poppy esto namorando. O que est acontecendo?
         Enquanto Chris falava, James levantou-se e aproximou-se de Poppy. Para espanto dela, segurou-lhe a mo.
         - Espervamos manter segredo por mais algum tempo, mas  verdade - ele confirmou. - Poppy e eu...
         - Mas que maravilha! - Chris interrompeu-o com entusiasmo. - Vou logo contar a Sally. Como aconteceu? Por que no disse nada? Pensou que ningum ia saber
que se hospedaram num quarto de casal? J contou para a famlia, ou...
         - Ns no... - Poppy interveio, ansiosa para faz-lo entender que no havia nada entre ela e James, que tudo no passava de um grande engano.
         Entretanto, James fez sinal para que se calasse.
         - No queramos contar por enquanto - ele explicou.
         - Aconteceu tudo to de repente, que estvamos tentando prolongar o prazer secreto.
         - Bem, agora vai ser difcil. - Chris riu. - Principalmente com todos sabendo que passaram quatro noites na mesma cama.
         Poppy mordeu o lbio inferior para no gritar, ao perceber a satisfao transbordante na voz de Chris. Ele no sabia, no se importava, que era o nico
amor de sua vida?
         - Vou contar a Sally - ele repetiu.
         - No! - Poppy explodiu.
         - No! - James gritou junto, dando um aperto na mo dela para indicar que se calasse. - Ainda queremos mais um tempo s para ns.
         - Espero que no demorem para avisar a famlia - Chris comentou. - Eles podem acabar ouvindo as fofocas que esto correndo.
         - Obrigado, Chris - James agradeceu. - Mas...
         - Mas no  da minha conta - Chris concluiu, sorrindo. - Duvido que consigam esconder por muito tempo. Domingo  o aniversrio da tia #Fee. A famlia est
acostumada a ver vocs discutindo ou se ignorando, no andando de mos dadas e...
         Poppy tentou livrar-se, mas James se recusou a soltar-lhe a mo. Se ele no ia contar a verdade, ento ela contaria ali mesmo.
         - Chris, por favor, est havendo um...
         - Chris, a chamada que voc estava aguardando chegou - a secretria dele avisou, chegando  porta.
         - Obrigado estou #indo- ele respondeu, ento cochichou para James e Poppy: - Devem contar  mame e tia #Fee o mais rpido possvel. No h mais como guardar
segredo.
         Poppy quase no conseguiu esperar Chris sair da sala para virar-se contra James.
         - Por que no contou a verdade?
         - Que verdade? - James replicou. -  isso mesmo que deseja, Poppy? Quer realmente que eu conte o que aconteceu, exatamente como aconteceu?
         Humilhada, ela desviou o olhar.
         - No, voc sabe que no  isso - murmurou. - Mas no precisava deix-lo pensar que... acreditar que...
         - Acreditar o qu? Que estamos namorando? O que preferia que eu fizesse? Contasse que foi s sexo, por quatro noites, e nada mais?
         - Podia dizer que foi um engano, que o hotel fez confuso por termos o mesmo sobrenome.
         - Ah, sim - James escarneceu. - E depois?
         - Depois, o qu? - ela perguntou, confusa.
         - Se eu tivesse dito isso, ele ia perguntar como resolvemos o problema. Em outras palavras, esperaria que eu dissesse que o problema foi resolvido porque
nos deram quartos separados. Estaria mentindo.
         - Que diferena faria? - Poppy perguntou. - Pior do que isso  permitir que as pessoas pensem que somos amantes.
         - Est preocupada com o que as pessoas possam pensar, ou com Chris? Encare os fatos, Poppy, ele no vai se incomodar. Alis, deve estar aliviado. J  tempo
de viver no mundo real. Eu e voc...
         - Sem essa de "eu e voc" - Poppy cortou. - Odeio o que houve entre ns. Fico doente s de pensar. Sei que sempre me detestou, James, e, por sua causa,
agora me detesto tambm.
         Caminhou na direo da porta.
         - Basta, James. No suporto mais essa histria.

         - Poppy, tem certeza de que est bem?
         Poppy sorriu com ar indiferente e mentiu:
         - Tudo bem, me.
         - Deve estar com saudade de James - Chris brincou.
         Ele e Sally tinham sido os primeiros convidados a chegar para o aniversrio da me de Poppy.
         Poppy olhou ansiosa para a me, que aparentemente no captara o comentrio de Chris.
         - No se preocupe, Poppy, logo ele estar aqui - Chris acrescentou. - Ligou ontem  noite, dizendo que vai trazer mame.
         Pela primeira vez, desde que se apaixonara, Poppy sentiu que no queria mais ficar com Chris. Pela troca de olhares entre ele e a esposa, Poppy apostava
que Sally j sabia de sua suposta relao com James.
         Quantos convidados j saberiam? Onde estaria James? E se ele no viesse? O medo de ficar sozinha, alvo de comentrios, assustou Poppy. Ansiosa, ela olhou
pela janela da sala, esperando ver James chegar.
         - O que foi, Poppy? Quem voc est esperando? - a me perguntou.
         - Na.. nada, ningum - ela gaguejou, corando, aparentemente sem convencer totalmente a me.
         - Poppy, querida, como foi na Itlia? - uma vizinha, amiga da famlia, perguntou, aps cumprimentar a aniversariante. -  um belo pas, e, naturalmente,
voc foi com James, que  meio italiano...
         - Oh, voc e James saram de frias juntos? - uma #tia-av perguntou, entrando na conversa.
         - J ames e Poppy foram para a Itlia a servio - a me dela informou, mais que depressa.
         Poppy olhou para Stewart. Tomas e a esposa, que acabavam de entrar. No sabia que tinham sido convidados. a que aconteceria, se ele comentasse com sua me
sobre a nota do hotel?
         O pnico cresceu. Teria James feito tudo de propsito, para deix-la sozinha, amargando as conseqncias de seu ato?
         James tinha que vir, ela pensou, mesmo que fosse s para trazer a me, como Chris dissera. Pela maneira como Stewart e a esposa conversavam, olhando-a.
de relance, certamente estavam falando dela.
         Um carro estacionou em frente  casa, e a me de James e Chris desceu. James no estava com ela, Poppy percebeu desanimada, vendo que o acompanhante da
tia era um velho amigo da famlia.
         - Oi, querida, somos os ltimos a chegar? - a tia perguntou, contrita. - Desculpem,  que tivemos um ligeiro contratempo. James ficou de nos pegar e no
apareceu.
         - No se preocupe - a me de Poppy respondeu. - Entrem e tomem um drinque.
         Por que sua me no perguntara sobre James? Por que a tia no dissera o motivo de ele no ter aparecido? Poppy ficou aborrecida.
         - Poppy, voc est um pouco plida. Espero que meu filho no esteja fazendo voc trabalhar demais. A propsito, como foi na Itlia? A zona rural daquela
regio  magnfica. No vi voc, desde que voltou...
         #-Eu...
         - Oh, acho que Poppy no teve muito tempo de olhar a paisagem, me - Chris interveio. - Quando...
         - James!
         Poppy no reprimiu um grito de alvio, ao v-lo entrar na sala. Sem poder conter o mpeto, ela correu ao seu encontro e nem percebeu a surpresa de algumas
pessoas. De braos dados com James, no se deu conta de que acabara de confirmar, na frente de todos, tudo o que sempre fizera questo de negar.
         - Poppy! - a me dela exclamou, incrdula.
         Poppy, que nunca se dera ao trabalho de notar a presena de James, agora se apoiava em seu brao, como se ele fosse o nico refgio em uma tempestade.
         - Agora tero de contar -, Chris disse, despertando a curiosidade de todos.
         - Contar o qu? - a me de Poppy perguntou, confusa.
         Com ar de completo desamparo, Poppy olhou para James.
         - Poppy e eu... - James comeou calmamente.
         - Eles esto apaixonados - Chris antecipou-se, impaciente.
         - At que enfim! Oh, Poppy, como estou feliz! - a me de James e Chris exclamou. - Vocs foram feitos um para o outro. Ainda me lembro de como voc acompanhava
James para todo lugar, quando eram crianas. E agora...
         - E agora, caiu na rede - Chris brincou, interrompendo a me, que abraou Poppy, chorando.
         - H quanto tempo?
         - Como aconteceu?
         - J fizeram planos?
         Sob uma saraivada de perguntas, Poppy sentiu-se como algum em estado de transe, enquanto recebia as congratulaes dos familiares e amigos. James, a seu
lado, permanecia frio como uma esttua de gelo.
         - Eu avisei que no conseguiriam esconder - Chris lembrou, enquanto o pai de Poppy ia abrir uma garrafa de champanhe.
         - Agora sei por que ficou to desapontada, quando cheguei sem ele! - A me de James sorriu, abraando Poppy outra vez.
         O que est havendo com todo mundo?, Poppy perguntou-se, enquanto o pai servia uma rodada de champanhe. Estariam loucos? Todos sabiam de sua preferncia
por Chris, e agora comportavam-se como se seu relacionamento com James fosse algo esperado... inevitvel.
         Ela ouviu o pai sugerir um brinde, enquanto um convidado cumprimentava James, perguntando quando seria o casamento.
         - No vai demorar muito, vai? - Sally manifestou-se. - Afinal, nem precisam procurar casa para morar. J tm a de James!
         - Ento, quando aconteceu? - a me de Poppy perguntou, assim que tudo se acalmou.
         Na viagem  Itlia, Poppy quase confessou, mas James se atravessou com outra verso dos fatos:
         - No ltimo Natal.
         Poppy olhou-o. No Natal, eles haviam tido a maior discusso de todos os tempos. Ele a acusara de insinuar-se para Chris, na frente de Sally.
         Poppy esperava que a me o xingasse de mentiroso, entretanto ela se limitou a rir e disse que haviam feito muito bem em manter segredo.
         - No queramos ofuscar o brilho e a glria do casamento de Chris e Sally - James improvisou.
         - Ento, agora temos outro casamento para planejar. Quando vocs...
         - Oh, no, no podemos - Poppy dirigiu-se  me, mas foi interrompida por James.
         - No podemos decidir ainda - ele consertou.
         - Bem, pelo menos no precisaro procurar casa - a me de James repetiu o que Sally havia dito. - Achei estranho um homem solteiro comprar uma casa enorme,
apropriada para uma grande famlia. Devia ter adivinhado. Poppy sempre teve um fraco por aquelas casas em estilo vitoriano, s margens do rio.
         Enquanto Poppy engolia a vontade de responder, dizendo que no tinha nada a ver com a escolha de James, ele explicou:
         - Lembro-me de que ela costumava dar uma enorme caminhada na volta da escola, s para passar por l e ver as casas.
         Era verdade. Ela adorava os enormes terraos, os jardins que se estendiam at o rio. Em suas fantasias, morava em uma delas, com Chris.
         Durante a festa, todos pareciam interessados no novo casal. Poppy no comeu quase nada. Andava nervosa e estressada, desde que voltara da Itlia, sem apetite.
         - Preciso falar com voc - James murmurou-lhe ao ouvido, em certo momento.
         - No podemos. No agora, no aqui - ela cochichou.
         - Vou embora daqui a meia hora - ele avisou, olhando para o relgio. - E quando eu for, voc vai comigo.
         - No. O que as pessoas vo dizer? - Poppy protestou.
         - Vo dizer que estamos apaixonados e queremos ficar a ss.
         - Pare com isso. Por que tinha de contar... faz-los pensar que...
         - O que voc acha? - James perguntou.
         Poppy capitulou, lembrando-se de que, quando ele chegara, ela praticamente jogara-se em seus braos, pedindo socorro.

         - Para onde vamos? - Poppy perguntou no carro, aps colocar o cinto de segurana.
         Tentara esquivar-se de sair com ele, alegando que a me precisaria de ajuda, mas James recusara-se a ouvi-la, e agora ela estava ali, obrigada a v-lo como
seu salvador.
         - Para onde voc imagina que vamos? - ele perguntou secamente, tomando o rumo de sua casa.
         - Para l, no - ela protestou, notando em que direo estavam indo.
         - Por que no? Podemos conversar  vontade, sem sermos ouvidos.
         - No precisamos ir a sua casa, James. Pode parar o carro em qualquer lugar, e...
         - Ah, sim, e permitir que algum nos veja? Certamente algum nos ver e vai dizer que nos desejamos tanto que fazemos amor no banco de trs do carro.
         - Pare - Poppy ordenou. - No me fale mais nisso. Eu nunca...
         Ela se interrompeu bruscamente. Como faz-lo entender que a humilhava com suas palavras? No adiantava argumentar.
         Ele j estava entrando na alameda que levava a sua casa. As residncias em estilo vitoriano eram de trs andares, tinham poro e sto. Quando James desligou
o carro, j na garagem, Poppy sentiu um leve tremor, imaginando o que iriam conversar.
         Pouco depois, subiu a escada externa atrs dele, e entraram pela porta principal. Ela admirou a beleza do teto, magistralmente trabalhado em gesso. Entretanto,
disfarou, mostrando propositada indiferena.
         As portas de mogno, almofada das, tinham um brilho suave, mesmo ao sol fraco da tarde. Poppy teve de refrear o desejo de passar a mo e conferir se a madeira
tinha mesmo a vida que o brilho transmitia.
         Um arrepio sacudiu-a com tanta fora que James percebeu, pois olhou-a, franzindo as sobrancelhas. A escadaria e os corredores eram acarpetados em tom bege.
Soltos sobre o carpete, tapetes decorativos, cor de tijolo e #verde-musgo, enriqueciam o ambiente. Se a casa fosse dela, Poppy pensou, acrescentaria um toque feminino,
Como uma floreira sobre a mesa redonda.
         - Entre aqui - ele orientou, abrindo uma das portas.
         Poppy pestanejou ao entrar. A sala era enorme, comprida, tomava metade da largura do andar, com janelas em duas paredes. Os mveis escolhidos por James,
uma mistura de antigo e moderno, tornavam o lugar elegante e aconchegante.
         - Agora, ns - J ames comeou, fechando a porta. J tem uma idia exata do que est tramando?
         - No sei do que est falando - Poppy declarou.
         - Oh, Poppy, no tente me enganar. O que estava pretendendo, ao me receber daquela maneira, deixando claro que...
         - Deixando claro o qu? Que estivemos juntos na cama? Eles j sabiam, ou no demorariam a descobrir.
         James franziu a testa.
         - O que est tentando me dizer? Chris contou?
         - No - Poppy respondeu. - Ningum disse nada, mas mame convidou Stewart Thomas e Diana, e, pelo modo como os dois me olhavam...
         Ela mordeu o lbio inferior, sem coragem de contar como sentira-se vulnervel e amedrontada sob os olhares furtivos de Stewart e a esposa.
         - Com voc est tudo certo, James, voc  homem - ela continuou. - Ningum vai pensar nada demais. Mas comigo  diferente. Por que tinha que acontecer tudo
isso?
         - Precisa perguntar? Tinha que acontecer por causa disto, Poppy.
         Ele puxou-a para junto de si e comeou a beij-la com um mpeto voraz, como se quisesse devor-la. Porm, mais excitante do que os beijos era a receptividade
de Poppy, vida, faminta, sem pudor, provocante.
         Poppy deu um leve gemido, quando ele acariciou seus seios. Quando ele a tocava nos seios, no havia como refrear a sensao de prazer que explodia em seu
interior, crescendo, ameaando sua sanidade. Daquela vez, porm, a sensao de prazer chegou acompanhada de mal-estar, nusea e tontura. Poppy cambaleou.
         - Poppy, Poppy, o que foi? - James perguntou, assustado.
         Quando segurou-a com firmeza, ela sentiu uma nova vertigem, acompanhada de nusea.
         - H quanto tempo isso vem acontecendo? - James perguntou, preocupado.
         Mesmo com ele segurando-a, Poppy achava difcil equilibrar-se, preferindo permanecer encostada em seu peito.
         - H quanto tempo vem acontecendo o qu? - ela perguntou em tom fraco.
         - Voc sabe, Poppy. Por acaso est grvida?
         Poppy pareceu acordar com o que acabara de ouvir. Sentiu que o sangue voltava novamente ao seu rosto.
         - No, claro que no - negou. - No posso estar grvida, James! No posso!
         - Pode ser que no queira estar - J ames corrigiu.
         Grvida de um filho de James. No pode ser, Poppy pensou. Quando ela contou e recontou mentalmente as semanas, desde que voltaram da Itlia, sentiu-se gelar
por dentro. Percebeu que sua menstruao estava dois meses atrasada.
         - Poppy... - James insistiu.
                 - Eu... eu no sei. No posso estar grvida, James, ns no podemos...
         - Ainda bem que j comunicamos nossa inteno de casar - ele considerou.
         - No podemos nos casar - Poppy protestou, apavorada.
         - Podemos, claro - James afirmou.
         - Eu no devo estar grvida, mas mesmo que esteja...
         - Se estiver, o que far? Teria coragem de matar meu beb? - James criticou severamente.
         - No, pelo amor de Deus! Eu nunca faria uma coisa dessas.
         - Ento, no temos alternativa, Poppy. Temos que nos casar.
         - Est certo - ela concordou, dando-lhe razo.
         Fossem eles estranhos, e no primos, Poppy consideraria a hiptese de ter seu filho sozinha, mas naquelas circunstncias...
         Antes de mais nada, porm, ela compraria um daqueles testes vendidos em farmcias, ou, ento, consultaria o mdico da famlia.
         - Eu no queria que isso acontecesse, James. Eu no queria.

CAPITULO VII




  P
#oppy, preciso falar com voc.
         Poppy ficou preocupada com o tom brusco de James, na mensagem deixada na secretria eletrnica.
         Nos ltimos trs dias, felizmente ele estivera viajando a negcios, e ela ficara em casa, aproveitando a oportunidade para tirar trs dias de folga. Naquele
dia, iria almoar em companhia de #Star, sua amiga de infncia, e Claire, a madrasta de Sally. A sugesto estava em aberto h trs meses, desde o dia do casamento
de Chris e Sally.
         Poppy consultara um mdico e certificara-se de que realmente carregava um filho de James em seu ventre. A princpio, sua reao foi de sumir do mapa, desaparecer
de vez, para no passar pela humilhao que estava por vir.
         Mas como? Como podia causar aos pais to doloroso sofrimento? Alm disso, aonde quer que fosse, nunca fugiria de si mesma, no esqueceria o que fizera.
         Havia outra alternativa, naturalmente, ela reconheceu, enquanto se arrumava para o almoo com as duas amigas. Mas era uma alternativa simplesmente impensvel.
No, ela pensou, protegendo a barriga com as mos, no teria coragem de interromper a vida que ela e James haviam criado.
         Quanto  mensagem deixada por ele, dava para imaginar o que ele queria saber. Um inesperado compromisso obrigara-o a viajar antes de ela ir ao mdico. Embora
ainda no estivesse preparada para encar-lo, Poppy sabia que no podia evit-lo por muito tempo.
         A ltima coisa que gostaria de fazer naquele dia era almoar com as duas amigas. O que elas diriam? Estariam convencidas de que ela se apaixonara por James?
Que seu amor por Chris no passara de um capricho, que no significava mais nada?
         O restaurante era calmo e sossegado, e o reservado onde estavam almoando, arejado e confortvel. Poppy, entretanto, sentia-se levemente enjoada. Percebeu
o olhar desconfiado de Claire, quando revolveu o alimento no prato. Estava sem o menor apetite, e o cheiro da comida embrulhava-lhe o estmago. Quantas mudanas!
         Um estranho medo invadiu-a, quando ela compreendeu que no estava preparada para mudanas. Cada vez mais enjoada, empurrou o prato e levantou-se, pedindo
licena para ir ao banheiro.
         Chegando l, notou que a nusea diminura. Quando Claire foi procur-la, j havia se recuperado e desculpou-se, embora com a voz ainda trmula.
         O que as duas pensariam, quando descobrissem a verdade? Tinham ouvido Poppy jurar que nunca se casaria. Tambm testemunharam que ela no fizera nenhum esforo
para pegar o buqu atirado por Sally.
         Por mais que ela e James apressassem o casamento, quando o beb nascesse, todos saberiam da verdade. Uma onda de calor subiu-lhe ao rosto. Se tivessem casado
antes, se ela estivesse realmente apaixonada, seria diferente. Saber que estava esperando um filho dele seria a maior alegria do mundo.
         Entretanto, no estavam apaixonados, e mesmo assim a gravidez acontecera. Esse era o motivo de sua vergonha, de sua aflio.
         Foi um alvio quando o almoo terminou. #Star foi embora antes, e Poppy ficou conversando com Claire, na calada. Em dado momento, Poppy avistou um carro
parecido com o de James, aproximando-se. Era mesmo James! Com um arrepio na espinha, ela teve vontade de fugir. Mas no conseguiu mover um s msculo. Quase no
prestou ateno, quando Claire despediu-se.
         O Jaguar parou abruptamente, e James desceu. Poppy recuou instintivamente, quando ele se aproximou, mas foi segura pelo brao.
         - James, o que est fazendo aqui? Como soube onde me encontrar?
         - Dei uma olhada em sua agenda. Entre no carro - ele ordenou.
         - James, eu...
         "No quero ir com voc", ela queria dizer, mas desistiu, vendo-o visivelmente contrariado.
         - No comece, Poppy. No estou a fim de discutir. Por que no entrou em contato comigo?
         Ele praticamente empurrou-a para dentro do carro.
         - Nada de rodeios, Poppy. Eu preciso saber.
         Por uma frao de segundo, ela se viu tentada a engan-lo, dizendo que no estava grvida, mas logo rejeitou a idia.
         - Eu estava certo, no estava? - ele continuou, j com o carro em movimento. - Voc est grvida.
         - Estou - Poppy admitiu.
         No havia demonstrao de carinho, Poppy pensou.
         No havia amor no relacionamento deles. Entretanto, ela se sentia carente de afeio. Teve vontade de pedir que ele parasse o carro e a abraasse, que a
fizesse sentir-se segura, protegida, amada.
         Ficou tensa, esperando que ele explodisse de raiva ao ouvir a confirmao da gravidez. Em vez disso, James permaneceu estranhamente calado, tanto, que ela
foi obrigada a olh-lo diretamente. Era a primeira vez que o fazia, desde que entrara do carro. Ser que ele estava pensando em...
         James continuou pensativo, o olhar concentrado apenas na estrada vazia que se estendia  frente.
         - Eu no vou... Eu no quero perder meu beb - Poppy declarou com deciso, percebendo, ento, quanto queria proteger a vida que levava no ventre.
         James olhou-a repentinamente, fazendo-a retrair-se no assento.
         - Essa criana  to minha quanto sua, Poppy. Nem por um momento pensei em... fazer algo para prejudic-la. No sei como imaginou que eu seria capaz de...
         Poppy impressionou-se ao ouvi-lo. No duvidava que James tambm quisesse fazer a coisa certa, mas incrvel era a emoo na voz dele, ao referir-se  criana.
         - Temos de falar com seus pais - ele observou. - E tambm com minha me.
         - Temos, mesmo? Seja como for, logo sabero da verdade - Poppy considerou, desanimada.
         - Sabero, sim - ele concordou. - Pelo menos, vamos contar parte da verdade, Poppy, para seu prprio bem. S h uma coisa que ningum precisa saber.
         Ela sentiu o corao bater descompassado.
         - O que est pretendendo, James?
         - Eles precisam acreditar que nosso filho  resultado do amor.
         - Amor? - Poppy suspirou. - Eles no vo acreditar. Todos sabem o que sinto por Chris.
         - O que eles sabem  que voc alimentou, por muito tempo, uma fantasia de adolescente por meu irmo - James corrigiu.
         - No posso dizer que estou apaixonada por voc. Ningum vai acreditar.
         - Pois, ento, teremos de fazer com que acreditem. Ou prefere que descubram a verdade nua e crua?
         - No - Poppy respondeu, sentindo o sangue subir-lhe ao rosto.
         - Agora, voc est entre a cruz e a caldeirinha. Ou diz que me ama, ou corre o risco de ter de explicar como ficou grvida de mim, sem me amar. A escolha
 sua.
         - Chris nunca vai acreditar que me apaixonei por voc - ela protestou.
         - Ele e a esposa esto muito ocupados com a prpria vida. No tm tempo para questionar sobre a sua.
         -  um alvio para ele, livrar-se de mim - Poppy comentou. - Voc me disse isso, uma vez.
         - Seus pais estaro em casa hoje  noite?
         - Acho que sim - Poppy respondeu, tentando organizar os pensamentos.
         - timo, vamos falar com eles o mais rpido possvel. Considerando a natureza humana em geral, se a famlia organizar uma grande festa, a questo da gravidez
ficar em segundo plano.
         - Mas todos vo saber, principalmente quando a criana nascer.
         - Deixe que saibam - James deu de ombros, estacionando o carro na frente da casa de Poppy.
         Ela desceu. Sentia-se cansada, solitria e at com medo.
         No fora assim que imaginara seu casamento, sua vida.
         James saiu do carro e acompanhou-a.
         - No devemos nos casar, James - ela opinou. - No nos amamos. No temos nada em comum, nada que torne nosso casamento real.
         - No, Poppy, voc est enganada - ele assegurou.
         Em seguida, beijou-a calorosamente. Poppy entregou-se ao beijo, sentindo crescer no ntimo uma sensao de tenso e desejo.
         Tudo ao redor tornou-se insignificante, enquanto seu corpo reagia com paixo aos afagos de James, aos seus beijos.
         Quando ele parou, demorou alguns segundos para que Poppy se localizasse novamente no tempo e no espao. Lgrimas umedeciam seus olhos. O rosto corado evidenciava
seu constrangimento.
         - Temos isso em comum - James observou, alisando carinhosamente a barriga dela.
         De cabea baixa, Poppy no conseguia impedir as lgrimas de encherem-lhe os olhos. James estava to perto que ela sentia-lhe a respirao. Temendo que ele
a beijasse novamente, reacendendo as chamas em seu corpo, Poppy tomou uma deciso. Afastou-se dele bruscamente e procurou o refgio de sua casa, quase correndo.
         - Estarei aqui s oito horas - James avisou.

         - Na verdade, eu  que deveria me envergonhar - disse James.
         Abraou Poppy. Acabara de contar aos pais dela por que pretendiam casar-se o mais rpido possvel. Por um momento, o silncio fora total. Poppy, de cabea
baixa, envergonhada, esperara por um longo interrogatrio.
         Para seu espanto, os pais no fizeram perguntas, nem comentrios. Apenas abraaram-na carinhosamente.
         - Oh, querida, eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, voc e James acertariam suas diferenas - a me comentou. - Embora deva admitir que foi rpido demais.
         - A culpa foi minha - James declarou, aconchegando Poppy num abrao apertado. - Por muito tempo esperei, amando-a em silncio, at que ela... Bem, certo
ou errado, desejo que tudo termine em alegria.
         Expressou-se com tanta convico e aparente sinceridade, que Poppy no pde deixar de olh-lo com espanto.
         - Minha nica preocupao  saber se vocs me perdoaro por ter lhes negado o prazer de organizar o casamento com bastante antecedncia.
         - Bem, foi realmente uma grande surpresa para ns - a me de Poppy admitiu. - Mas vocs no tm do que se envergonhar. "O amor lava a multido dos pecados"
so as palavras mais sbias do mundo. Seu pai e eu...
         O pai de Poppy pigarreou, cortando o assunto. A me riu e continuou:
         - Ter que ser um casamento simples. Vocs tm algum plano? Poppy precisar de um vestido de noiva, naturalmente, e depois faremos um almoo para toda a
famlia.
         - No - Poppy protestou, corando. - No vou precisar de vestido de noiva. No  necessrio, para um casamento no civil.
         - No vai ser um casamento s no civil - James protestou. - Vamos ter uma bela cerimnia na igreja.
         Poppy espantou-se, mas antes que dissesse qualquer coisa, ele tomou seu rosto entre as mos. Na frente dos pais, Poppy viu-se beijada na boca, de forma
carinhosa e rpida.
         - No quero que as pessoas pensem que estamos arrependidos, e #que- nosso filho no  bem-vindo - ele continuou. - Todos devem ficar sabendo que nosso casamento
ser a coroao do amor que sentimos um pelo outro, e por ele, ou ela.
         Somente quando ele beijou seu rosto mido foi que Poppy percebeu que estava chorando.
         - No posso usar um vestido branco - ela disse para a me. - Ter que ser...
         - Marfim ou creme - a me sugeriu. - Branco nunca foi uma boa cor para voc. E acho que podemos fazer o almoo do casamento aqui mesmo. J contou a sua
me, James?
         - Ainda no. Pretendemos faz-lo mais tarde.
         Poppy achava espantoso o fato de que esquecera Chris quase que completamente, nos ltimos dias. Antes de estar envolvida com James, passava dias sonhando
acordada. Como seria se Chris a amasse como ela desejava?
         Alm disso, parecia desonesto, injusto, envolver-se, mesmo que apenas mentalmente, com um homem que no era o pai de seu filho.
         Tudo era muito estranho, mas uma coisa realmente deixara-a chocada: a facilidade com que os pais aceitaram a suposta transferncia de seu amor, de Chris
para James.
         - Pronta? - James perguntou, arrancando-a dos devaneios.
         Poppy suspirou, nervosa. Pronta para qu? Para o futuro? Como poderia, se no fora aquele futuro que escolhera para si?

         Seis semanas depois, Poppy e James casaram-se. Ela usou um vestido de xantungue marfim, que pertencera  bisav de James. O vestido fora presente de
uma
tia dele, que viajara da Itlia especialmente para traz-lo. A nica coisa que tiveram que fazer no vestido foi alargar um pouco na cintura. A gravidez ainda no
estava visvel, entretanto Poppy suspeitava que os constantes ataques de mal-estar das primeiras semanas alertaram muitas pessoas.
         Ningum tocara no assunto, porm. Apenas Sally fizera alguns comentrios indiretos, quando ajudara Poppy a vestir-se para o casamento.
         - Chris e eu decidimos esperar alguns anos para ter o primeiro filho - ela dissera. - No comeo, era isso o que eu queria, mas agora... acredito que um
filho assegura um relacionamento mais profundo, mais ntimo.
         Poppy no soubera o que dizer.
         Agora, ela e James estavam casados, com todos reunidos para o almoo. Dizer a verdade de nada adiantaria, no mudaria a situao.
         Poppy fechou os olhos, lembrando-se do momento em que James, aps o "sim," levantara o vu de seu rosto e beijara-a com suavidade. No fora um beijo sensual,
apaixonado, mas havia algo mais no olhar dele, talvez respeito, ou at amor de verdade. Alguma coisa que, na solenidade dos votos, brotara inesperadamente.
         Teria algum mais notado, quando, disfaradamente, ele acariciara sua barriga? O toque assemelhara-se a uma secreta confisso de amor  criana, tanto quanto
fora pblica a promessa que haviam acabado de fazer um ao outro.
         Chris aproximou-se, abraou o irmo emocionadamente e deu um largo sorriso para Poppy. Com os cabelos por cortar, caindo-lhe nos olhos, parecia um menino,
aparentemente tmido.
         Poppy imaginou como seria, se fosse o filho dele e no o de James, que ela trazia no ventre. Qual seria a reao de Chris, naquelas circunstncias? Depois
de refletir, ela chegou  concluso de que James fora muito responsvel. Procurara seus pais, explicara o que acontecera e assumira a culpa. Se Chris fosse o pai,
talvez tivesse que digerir sozinha toda sua vergonha.
         - Pare com isso - James murmurou repentinamente. - Foi comigo que voc casou, Poppy.  meu filho que voc est carregando. Meu filho!
         Ele parecia ter o dom de adivinhar seus pensamentos.
         - Acha que no sei disso? - ela replicou, nervosa. - Odeio essa hipocrisia, todo esse fingimento.
         -  mesmo? No se incomodou com o fingimento, na noite em que se convenceu de que estava na cama com Chris, no comigo.
         Espantada com o inesperado ataque, Poppy ficou olhando-o em silncio. Felizmente, foi salva pela voz da me.
         - Querida, voc est bem? Parece um pouco plida. Venha sentar-se. O almoo vai ser servido.

CAPTULO VIII




  E
#stamos perto, agora.
         Poppy fora contra a idia de uma lua-de-mel, mas James insistira, justificando que seria estranho no viajarem.
         Antes no tivesse concordado, ela pensou arrependida, quando ele disse para onde seria a viagem.
         - Itlia! - ela protestara. - A Itlia no, por favor. Me faz lembrar sua amiga japonesa, aquela com quem voc passou uma noite.
         James replicara, dizendo:
         - A nica mulher com quem passei uma noite naquele hotel foi voc.
         - Houve uma noite em que voc no voltou para o quarto - Poppy acusara.
         - Sim, mas no porque estivesse com algum. Se quer saber, passei a noite toda trabalhando.
         - Mesmo assim, eu no gostaria de voltar  Itlia - Poppy afirmara.
         - No temos muita escolha. Minha me insistiu em nos oferecer a #villa como presente de casamento. Recusar seria uma grosseria.
         Poppy sabia que James tinha razo. Desde que o pai dele morrera, a me nunca mais usara a #villa. Preferia guardar intactas as lembranas das frias felizes
que haviam passado l.
         Agora, achava que j era tempo de deix-la para outros membros da famlia. Como James sempre estivera em contato com suas origens italianas, mais do que
Chris, ela decidira que a #villa devia ser dele e de Poppy.
         Poppy estivera l uma vez, quando criana. Lembrava-se de como se encantara com o interior da Toscana, suas cores e seu povo vibrante.
         A #villa no era muito grande. Ficava um pouco isolada e, originalmente, j fora presente de casamento do pai para a me de James.
         - James gostava muito de l - a me dele dissera. - Talvez porque se identificasse mais com a origem italiana do que Chris. Voc o ama, no , Poppy? Eu
sei o quanto ele sempre a amou.
         Poppy simplesmente abaixara a cabea. Embora James tivesse a capacidade de mentir descaradamente at para a me, ela no tinha coragem de fazer o mesmo.
Para sua sorte, a tia entendera que as lgrimas em seus olhos eram um sinal de seu amor por James. Como o assunto morrera, ficara o dito pelo no dito.
         A cidadezinha, a alguns quilmetros da #villa, era exatamente como Poppy se lembrava. Duas crianas de olhos negros observaram-nos de uma porta semi-aberta,
quando eles passaram. Poppy emocionou-se. Devido  gravidez, sua sensibilidade estava  flor da pele, nas ltimas semanas.
         - O que foi, o que h de errado? - James perguntou.
         Mergulhada num mar de indagaes, Poppy no se sentiu em condies de explicar. Todas as mulheres grvidas ficavam como ela? Tinham a mesma vontade de proteger
e acariciar seus bebs? Ela e James podiam no se amar, mas uma coisa era certa: seu beb tinha, desde j, todo seu amor.
         James tambm o amava, ela admitiu, olhando para ele. Nesse momento, o carro trepidou. Acabavam de sair da estrada principal e entravam no acesso que levava
diretamente  #villa.
         O clima e o sol da Toscana tinham alterado a cor do revestimento de cermica terracota da construo. A cor amarronzada ganhara um tom mais claro, desbotado.
As venezianas, fechadas, refletindo o sol da tarde, eram pintadas de branco. O homem a quem a me de James pagava para fazer a manuteno da propriedade pintara
a casa recentemente. Tudo parecia impecvel.
         James parou o carro e desceu. Poppy acompanhou-o.
         - #Paolo deve ter comprado mantimentos para ns - ele comentou, referindo-se ao caseiro. - Caso contrrio, terei que voltar ao vilarejo e fazer compras.
Deseja alguma coisa em particular?
         - S gua - Poppy respondeu.
         Sentia-se com a boca seca e o corpo spero, com o suor grudado na pele.
         - Acho bom voc sair do sol - James aconselhou com ar preocupado.
         - No precisa fingir - ela retrucou, irritada. - Sei que no d a menor importncia ao que acontece a mim. Se eu no estivesse grvida...
         - Gostaria que eu me preocupasse com voc?
         Poppy empertigou-se, tomando as palavras dele como um desafio.
         - Ambos sabemos o que est incomodando voc, Poppy. No  meu suposto fingimento. Eu sei que no sou Chris, mas e quanto a voc? Quando vai crescer e se
dar conta da realidade?
         James fez uma pausa, massageando o pescoo com a mo. - Vamos entrar - ordenou, encaminhando-se para a porta da frente.
         Em silncio, Poppy seguiu-o, mantendo distncia deliberadamente, enquanto ele introduzia a chave na fechadura.
         Dentro da casa, a temperatura estava mais fresca e agradvel. Enquanto James abria as venezianas, Poppy foi para a cozinha. #Paolo fizera compras, obviamente.
Havia sobre a mesa uma caixa com mercadorias diversas. Poppy revirou o contedo da caixa e aspirou com prazer o cheiro de presunto defumado, que lhe despertou a
fome.
         Ento, olhando para um lindo po fresco, ficou com a boca cheia de saliva.
         - Ah, gosta disso, no ? - brincou, como se falasse com o beb. - Voc vai ser igual ao papai? Vai puxar o lado italiano?
         Para Poppy, comunicar-se com seu beb era uma experincia nova, que lhe dava muito prazer.
         - Bem, no espere que eu seja uma tpica me italiana, que vai estragar voc de mimos. No sou - ela avisou, rindo.
         Ento, corando, percebeu que James observara tudo, encostado no batente da porta.
         - Qualquer livro especializado diz que  importante comunicar-se com a criana mesmo antes de ela nascer - justificou-se. -  para que saiba que est segura
e  amada.
         - E voc ama o beb, Poppy? Seja "ele" ou "ela"?
         - Seja como for, o beb  meu. Como poderia no am-lo?
         - Seu beb tambm  meu - James lembrou-a. - Se est pensando em considerar que o pai de meu filho  meu irmo...
         - Parece que #Paolo no trouxe leite - ela mudou rapidamente de assunto.
         - Poppy! - James insistiu.
         - No, claro que no. Isso  ridculo - ela respondeu.
         Os dois se olharam francamente por um momento.
         - James, como vamos agentar nossa situao? Ns no nos amamos. Nem sequer gostamos um do outro!
         - Teremos de agentar, pelo bem do beb - ele declarou, antes de pegar as chaves do carro que jogara em cima da mesa. - Agora, vou levar as malas para cima
e depois sair para comprar gua mineral. Voc pode ficar com a sute principal. Eu vou dormir no outro quarto.
         A casa tinha somente dois quartos, ambos bem espaosos. Banheiro, s havia um, e pertencia ao quarto maior. Quem quisesse us-lo forosamente teria de passar
pelo quarto principal. A me de James sempre falava da necessidade de outro banheiro, que nunca foi construdo.
         Sem esperar mais nada, James saiu da cozinha.
         Poppy suspirou. O que ela faria, para suportar duas semanas de convvio com ele? Se agentar duas semanas parecia difcil, o que dizer dos anos todos que
tinham pela frente? Exausta, subiu para o quarto.
         A esposa de #Paolo, por instruo de James, tinha arrumado as camas. Como ele explicara o fato de um casal em lua-de-mel precisar de dois quartos?, Poppy
divagava, tirando as roupas para um relaxante banho de chuveiro. Mais tarde,j de camisola, praticamente engatinhou para baixo do lenol de linho com cheiro de lavanda.
         Poppy sorriu, satisfeita consigo mesma, vestindo um confortvel vestido de algodo. O dia amanhecera lindo. O cu, perfeitamente azul, prenunciava um outro
dia ensolarado.
         No momento em que o vestido apertou-lhe levemente a cintura, ela sentiu na barriga um suave movimento. Se quisesse descrever a sensao com fidelidade,
diria que fora como uma ptala de rosa, roando levemente em sua pele. Movida pelo instinto, sem pensar, ela chamou James.
         - James! Rpido!
         - O que foi? - ele perguntou, abrindo a porta de seu quarto.
         Isolada com James naquele lugar distante, Poppy pretendia esclarecer muitas coisas. Pensava em provar a inutilidade de seu relacionamento e mostrar as razes
pelas quais no deveriam ter se casado. Entretanto, para seu espanto, os dias passavam rpidos demais.
         Cansada, talvez pelos problemas que antecederam o casamento, Poppy desejava apenas relaxar e aproveitar o calor do sol. Seu objetivo principal, agora, era
proteger a vida que estava se desenvolvendo dentro dela.
         No pensava tanto em Chris. A imagem dele, guardada com carinho durante muitos anos, parecia ter perdido o poder de socorr-la nas horas difceis.
         - O que foi? - James repetiu. - Por que me chamou?
         Quando prestou ateno, Poppy notou que ele estava muito atraente, de short e camiseta, deixando  mostra as pernas queimadas de sol. Os braos, surpreendentemente
fortes, eram musculosos demais para quem passava a maior parte do tempo atrs de uma mesa de escritrio.
         De repente, era como se ela o estivesse vendo de uma nova maneira, de um ngulo at ento no percebido. O corao bateu mais forte, e Poppy sentiu o familiar
calor aquecer-lhe o rosto.
         - No est se sentindo bem? - James quis saber.
         Desde os primeiros dias, ele insistira para que Poppy ficasse na cama pela manh, e gentilmente levava-lhe uma xcara de ch e bolachas.
         No comeo, ela achava aquilo uma bajulao irritante, porque sabia que era s por causa do beb. Nos ltimos dias, entretanto, estava adorando ser mimada.
Era uma sensao que no experimentava havia muito tempo.
         - Estou bem. No foi nada - ela respondeu, no dizendo o motivo por que o chamara. - S queria saber se pretende ir  cidade, mais tarde.
         - Pretendo, sim. Preciso comprar algumas coisas e pr combustvel... - Ele interrompeu-se, quando ela correu para perto dele sorrindo, entusiasmada. - Poppy,
o que aconteceu?
         - O beb est se mexendo - ela explicou baixinho, com expresso radiante.
         Num gesto impulsivo, pegou a mo dele e guiou-a para sua barriga. Percebendo. que James parecia indiferente, imediatamente fez meno de afastar-se, com
os olhos cheios de lgrimas.
         Ele, porm, no permitiu e segurou-a, abraando-a. De repente, no crculo dos braos fortes, Poppy experimentou uma sensao de segurana e conforto.
         O beb tambm devia estar sentindo a mesma coisa, pensou, pois comeou a mexer-se mais vigorosamente, causando-lhe uma espcie de ccega que a fez rir.
         Retomou a mo de James e colocou-a no lugar onde sentia o movimento. No olhar incrdulo dele, viu um ar de humildade e emoo, que tocou-a profundamente.
         - D para adivinhar que ela vai herdar o talento da me para impor sua presena - foi o comentrio de James.
         Embora sua voz fosse firme, Poppy notou que ele ficara seriamente impressionado com a experincia.
         - "Ela"? - Poppy repetiu. - Ento, prefere que seja uma menina?
         - Prefiro - ele confirmou, a voz retomando o conhecido tom de ironia. - Pelo menos, assim...
         Fez um gesto negativo de cabea, sem terminar a frase. Para Poppy, foi uma surpresa que ele preferisse uma filha.
         Imaginava que pessoas como James s davam valor a filhos homens. Embora fossem primos, era bvio que ela no o conhecia to bem quanto julgara.
         Mas estava aprendendo a conhecer, concluiu mais tarde, descansando no jardim, enquanto esperava James retornar da cidade.
         E estava aprendendo a conhecer a si prpria tambm. Agora, at a lembrana de Chris estava ficando distante. Quando se lembrava dele, era apenas como seu
primo, no o grande amor de muitos anos.
         Seria a gravidez a responsvel por sua frieza sentimental em relao a Chris? Desejara James fisicamente, poucas horas atrs, e desejava que ele estivesse
com ela naquele momento.
         Mudou de posio na espreguiadeira, mas o calor que esquentava-lhe o rosto no vinha do sol quente do vero toscano. Acabara de fazer uma descoberta chocante.
Seria possvel que estivesse amando James?
         Agora, sentia-se uma mulher amadurecida. No era mais a jovenzinha sonhadora. Sabia perfeitamente bem o que era o verdadeiro desejo sexual, sabia quando
estava excitada. No havia como confundir emoes to especiais com fantasias.
         Olhou instintivamente para a entrada da #villa. Esperava ansiosa pelo retorno de James. Sentia-se insegura, na ausncia dele, alienada de seu passado e apreensiva
quanto ao futuro.
         Devia ser o beb o responsvel por sua insegurana, ela justificou-se, teimando em negar o que parecia to evidente.
         - Vamos ter de nos mexer, se quisermos comer alguma coisa mais tarde - James avisou Poppy, olhando-a da cadeira de jardim onde se sentara.
         Ela estava sem vontade de entrar em casa. No queria perder o pr-do-sol. Desde que James voltara, ficara observando-o, tentando entender a necessidade
que sentia de estar junto dele.
         Por que razo os mais naturais atributos de um homem repentinamente chamavam-lhe tanto a ateno? O jeito de andar, o brilho da pele, e at a curva do pescoo
de James, de sbito haviam se tornado sensuais e excitantes. Por que motivo, mesmo estando longe, a simples idia de ser tocada por ele despertava anseios de prazer?
         No havia respostas para suas perguntas, Poppy pensou. - Vou me trocar - ela anunciou um pouco mais tarde, e levantou-se da espreguiadeira.
         O sol tornara a pele de Poppy igual  de um pssego levemente dourado. Sua aparncia, bonita e saudvel, devia ser efeito da gravidez, ela refletiu, olhando-se
no espelho do quarto.
         O beb ainda no causara mais do que um pequeno inchao em sua barriga, mas ela j estava comeando a dar preferncia por roupas folgadas. Agora, estava
agradecida a Sally por t-la convencido a comprar algumas roupas mais largas, prprias para o vero na Itlia.
         O vestido cor de gelo e creme, que Sally escolhera, no era um modelo de sua preferncia, mas caa-lhe bem. Nunca imaginara ser capaz de usar um vestido
de musselina que, de to fina, era quase transparente. Alm disso, as cavas altas mostravam seus braos bronzeados, e o decote audacioso deixava  mostra as curvas
dos seios.
         - Deve ser bem fresquinho - Sally comentara na loja. - Experimente este tambm.
         Trazia na mo um vestido de algodo listrado, com uma extensa carreira de botes na frente.
         - No sei... - Poppy hesitara.
         - Ora, vamos! - Sally animara-a. - James vai gostar. Os homens adoram botes.
         Poppy decidira no levar o vestido, mas a amiga dera um jeito de inclu-lo nas compras. Poppy s descobrira ao chegar em casa e desfazer os pacotes.
         Agora, estava usando o vestido listrado. Olhando-se no espelho, imaginou se James gostaria mesmo, como Sally dissera. Fechou os olhos e visualizou James
soltando boto por boto, expondo-lhe o corpo pouco a pouco. Um gemido atormentado escapou-lhe da garganta.
         - Poppy...        .
         Ela abriu os olhos, e o rubor invadiu-lhe as faces. James devia t-la ouvido gemer.
         - O que foi, Poppy? Est sentindo alguma dor?
         Ele se aproximou. Estava nu da cintura para cima. A cala de linho que estava usando, justa no corpo, revelava a rija musculatura de suas coxas.
         - James...
         Poppy ficou petrificada, observando cada movimento dele.
         Estava prximo o suficiente para ser tocado. Ela apoiou a mo em seu brao e fixou-o com os olhos brilhantes de desejo.
         - Eu quero voc - declarou nervosamente. - Desejo voc, James. Eu...
         - Poppy... - ele comeou.
         - No, James, no diga nada - ela interrompeu-o. - Eu s quero... James, no entendo o que est havendo comigo... Eu no devia...
         Percebeu que ele ficara ligeiramente tenso. Por uma frao de segundo, sentiu medo. Mas temia afastar-se, porque ele era  nica coisa concreta e familiar,
num mundo que, de repente, tornara-se estranho e fora de controle.
         Quando James se inclinou para ela, Poppy roou levemente os lbios em sua pele. O desejo atingiu um nvel intenso, como se uma fogueira ardesse dentro dela.
Murmurando o nome dele, comeou a beij-lo desesperadamente, no peito, no pescoo, totalmente descontrolada com o cheiro de sua pele, e a maneira como e1e suspirava
de prazer.
         O corao de James batia acelerado. Segurando Poppy pela nuca, ele guiava suavemente os movimentos dela, enquanto pronunciava palavras sem sentido.
         De repente, era ele quem estava cobrindo-a de beijos, no rosto, no pescoo, na boca. Poppy, sentindo o corpo vibrar por inteiro, abriu a boca para um beijo
profundo, numa reao apaixonada. Apertando-se contra ele o mais possvel, sentiu o vigor de sua excitao e odiou as roupas que impediam um contato mais ntimo.
         - Meu vestido, James...
         Ela murmurou as palavras, abrindo os olhos e fitando-o. Percebeu que James olhou para seu corpo, para seu vestido, como se no entendesse, parecendo confuso.
         - Tire meu vestido - ela murmurou. - Quero sentir voc perto de mim, James... quero tudo...
         Guiou as mos dele para os botes do vestido. Sem olhar para ela, James comeou a solt-los. Quando chegou aos botes prximos aos seios, Poppy comeou
a tremer. No estava usando nada por baixo.
         - O que voc quer de mim, Poppy? - James perguntou antes de terminar o que estava fazendo, e esperou a resposta.
         - Voc sabe o que eu quero - ela respondeu quase num gemido.
         - Mostre - ele ordenou.
         Ousadamente, Poppy obedeceu, colocando a mo dele sobre seu seio. O contato da mo dele, o toque experiente dos dedos em seu mamilo j intumescido, fez
com que ela tremesse de prazer.
         - O que voc quer, Poppy? - ele perguntou novamente, beijando o pescoo dela de cima a baixo. - E isto? Isto?
         - , sim, James - Poppy respondeu, quando ele tomou um dos mamilos na boca, massageando-o com a lngua.
         Ela tentou mostrar sem palavras o que realmente queria, e abraou-o pelo pescoo, arqueando-se para trs. Sem poder conter os espasmos que agitavam seu
corpo, ela gritou que no agentava mais, que estava com medo da intensidade do prazer que ele estava lhe dando.
         James parecia no ouvi-la. Continuava acariciando-a e beijando cada centmetro de seu corpo nu, enquanto soltava o restante dos botes. Ao chegar  barriga,
ele parou. Com a mo pousada no lugar onde o beb devia estar, levantou a cabea e olhou para Poppy.
         Ento, sem dizer uma palavra, tirou-lhe o vestido, deixando-o deslizar para o cho. Tomou-a nos braos e levou-a para a cama.
         Por um longo momento, simplesmente olhou-a. Poppy, em toda a sua vida, nunca pensara ficar assim, nua e em total abandono, sob o olhar de um homem. Foi
chocante a descoberta de que, com James, no se incomodava. Pelo contrrio, sentia-se orgulhosa de saber que estava sendo admirada, que ele se excitava com o que
via.
         Nunca imaginara como seria sentir-se to poderosa         sexualmente e, ao mesmo tempo, vulnervel e carente.
         - James... Tire a roupa. Eu... eu quero v-lo.
         Por um momento, ela pensou que ele ia se recusar, mas James comeou a tirar a cala. Poppy observava-o, sem perder nenhum detalhe. Sentiu uma nova e incomparvel
sensao de orgulho, ao ver-lhe a potente ereo e reconhecer mais uma vez seu poder de excit-lo. Estendeu a mo, tentando alcan-la, mas ele se curvara para beijar
suavemente sua barriga.
         A sensao da lngua passeando em volta de seu umbigo foi uma experincia to ertica que Poppy retorceu-se de prazer. Ela tremeu, quando James tirou-lhe
a calcinha. Fechou os olhos, extasiada, quando ele se ajeitou sobre ela, penetrando-a com movimentos gentis e ao mesmo tempo poderosos.
         Seu corpo registrou uma crescente sensao de prazer, que explodiu num espasmo de gozo total, em sincronia perfeita com o xtase de James.
         Pela primeira vez, os dois dormiram abraados.


CAPITULO IX




  P
#oppy e Sally faziam compras, num sbado  tarde.
         - Quando olho para voc, fico na dvida se Chris e eu tomamos a deciso certa, optando por esperar alguns anos para ter o primeiro filho - Sally comentou.
         Estavam passando por uma loja especializada em artigos para recm-nascidos, e Sally chamou a ateno de Poppy para as peas na vitrina.
         - Com voc e James as coisas so diferentes - a amiga continuou. - Ele  mais... mais maduro para se tornar pai do que Chris. D para perceber como est
feliz com a idia de ter o beb.
         Poppy concordou. Era verdade. No havia dvida de que James queria e amava o beb. Entretanto, ela achava, ele no tinha o mesmo sentimento pela me do
beb. Desde o incidente na #villa italiana, quando ela implorara para que fizessem amor, James mantinha-se relativamente distante.
         Agora, passadas seis semanas, ainda era difcil para Poppy acreditar no que acontecera. Aquilo era algo que Sally ia morrer sem saber, pois acreditava que
Poppy e James estavam profundamente apaixonados um pelo outro.
         A realidade de seu casamento era um segredo que Poppy teria de esconder de todos. A realidade de seus sentimentos era um segredo que teria de esconder de
James. Esse ltimo segredo, ela guardava consigo desde a ltima vez em que haviam feito amor.
         Lembrava-se com tristeza da humilhao de ser rejeitada, pela manh. Ao toc-lo, tendo ainda na alma um brilho de felicidade, vira que ele acordara contrariado
e arredio.
         No gostava de lembrar-se daquela noite. Se arrependimento matasse, ela preferia morrer a ter se comportado com tanta ingenuidade.
         Voltando mentalmente no tempo, ela admitia que no havia justificativa para o que fizera, naquele dia. E havia outra coisa. Desde menina, sempre fora fiel
ao seu pensamento. Dizia a todos que s amaria um homem na vida: Chris. Agora, era muito difcil confessar que estava errada, que tudo no passara de uma simples
paixo, que no fora amor. Agora, sabia a diferena, mas era tarde.
         A dor da paixo por Chris no significava nada, comparada com a agonia de corao e alma que estava suportando. Desde que descobrira seu amor por James,
o sofrimento fora muito maior, pois sabia que ele no a amava.
         Ela sentia que no era amada. James, de repente, comeara a ficar mais tempo no trabalho e arranjava sempre uma desculpa para uma viajem de negcios. Queria
ficar longe de casa o maior tempo possvel, ela deduzia.
         Poppy nunca questionava as atitudes de James, seu afastamento e seu silncio. Simplesmente aceitava os fatos. Agindo assim, calculava que finalmente entrara
para o mundo real da maturidade.
         Fazer sexo com James podia amenizar a ansiedade fsica de seu corpo, mas no satisfazia a necessidade emocional, pelo contrrio, aumentava-a. Por isso,
Poppy decidiu valer-se de todo o autocontrole que ainda lhe restava. Manteria tambm a distncia fsica entre ela e James, tanto em pblico como na intimidade. Apenas
quando ele no estivesse presente se daria o luxo de chorar.
s vezes, imaginava que desculpas ele apresentaria, para ficar longe de casa, depois que o beb nascesse. Naturalmente teria vrias. Ento, ela riria e
dedicaria todo seu amor ao beb. O casamento, mais cedo ou mais tarde, acabaria.
         Poppy retardara de propsito o retorno das compras com Sally. Assim, quando chegasse em casa, talvez James j tivesse sado, como fazia quase todas as noites.
         E, realmente, ele no estava em casa. A despeito de que no queria encontr-lo, ela sentia que tudo ficava vazio sem ele. Como seu corao, como sua vida.
         Acabara de fazer ch, quando a campainha tocou. Foi atender e surpreendeu-se ao ver Chris.
         - Entre - ela convidou. - James no est, mas...
         -  com voc que eu quero falar, Poppy - ele informou, um pouco sem jeito.
         Poppy franziu as sobrancelhas, confusa. Desde seu casamento com James, ela e Chris nunca tinham ficado sozinhos. Quando voltara da lua-de-mel, nem notara
a ausncia dele na empresa, at que James comentara o fato.
         -  sobre Sally - Chris explicou, quando j estavam na cozinha.
         - Sally? - ela repetiu, servindo-lhe uma xcara de ch.
         - . Ela colocou na cabea que tambm quer ter um beb - ele esclareceu. - Quando nos casamos, ela sabia que eu no era como James.  claro que quero filhos,
mas no agora. Por enquanto, quero ter Sally s para mim, mas ela no me ouve.
         - Oh, Chris, sinto muito - Poppy murmurou com simpatia. - Mas  com sua mulher que voc tem que conversar, no comigo.
         Era estranho, mas aquele rapaz que despertara nela a mais avassaladora paixo, agora despertava apenas um sentimento quase maternal.
         - E, acho que tem razo.  bom ver voc e James to felizes, Poppy - ele afirmou. - Voc sempre foi uma pessoa especial para mim.
         Chris falou num tom de voz carinhoso e abraou-a to apertado, que ela quase perdeu o flego. Ningum percebeu a porta se abrir e James entrar.
         - O que est acontecendo aqui? - ele perguntou. Foi Chris quem respondeu:
         - Desculpe, James, vim aqui s para trocar umas idias com Poppy - justificou, olhando para o relgio. - Vou para casa. Sally deve estar se perguntando
onde eu estou. No vou esquecer o que me disse, Poppy.
         Ela estremeceu ao ver o olhar duro de James, quando Chris foi embora.
         - O que voc disse, que Chris prometeu no esquecer? - ele perguntou ameaadoramente. - Ou ser que posso adivinhar? Por acaso disse o quanto o ama, Poppy?
Quanto ainda o quer?
         - No! - ela gritou em protesto. - Voc entendeu tudo errado.
         - No minta, Poppy. Ambos sabemos o que voc sente por Chris. O que fez, para ele vir aqui? Disse que era com ele que deveria ter casado, que  ele que
voc deseja, quando est nos meus braos?
         - No - Poppy continuou negando, alarmada com o tom agressivo da voz dele. - Claro que no, James.
         - No?! O que disse, ento? Contou, por acaso, que pediu para eu fazer amor com voc? Que me implorou para satisfaz-la?
         Poppy ficou boquiaberta. Nunca o vira to furioso e descontrolado.
         - Meu Deus, voc no agentou esperar pelo menos eu estar longe, para traz-lo aqui, no , Poppy? H quanto tempo vem acontecendo? Desde quando ele vem
aqui quando no estou?
         De repente, Poppy achou que j ouvira muita injustia e decidiu contra-atacar.
         - Por que est se incomodando? Voc no pra em casa e...
         - E Chris, evidentemente est sempre por perto. O que inventou, para ele vir aqui? Fingiu que precisava de um ombro para chorar? O que pretende realmente,
Poppy? Sabe que ele no a quer.
         - Eu sei, sim - ela concordou com aspereza. - Chris s queria falar de Sally. Est preocupado porque ela quer ter um filho, e eles tinham decidido esperar
algum tempo.
         - Um filho! Disse a meu irmo que Sally no era a nica a querer um filho dele? Foi por isso que ele disse que voc  especial?
         Poppy no conteve o susto, ao ouvi-lo repetir as palavras de Chris.
         - Chris veio aqui s para conversar... como primo - ela confirmou.
         - Primo! Por isso estava nos braos dele? - James perguntou com sarcasmo.
         - James, aonde vai? - Poppy gritou, quando ele saiu da cozinha.
         - Pegar o que vim buscar. Sabendo que voc no gosta de me encontrar, quando chega em casa, sa s pressas e esqueci uns papis de que preciso.
         Poppy ouviu a porta bater, quando ele entrou na saleta que usava como, escritrio. Foi tudo to rpido que ela ainda estava em p, na cozinha, quando ele
voltou.
         - James, precisamos conversar - ela disse energicamente. - No podemos continuar assim.
         - O que sugere? O divrcio? Saia da minha frente, Poppy - ele avisou, furioso. - Antes que eu faa algo de que me arrependa depois.
         Ele parou no limiar da porta e olhou para trs.
         - Quero que uma coisa fique bem clara, Poppy. Se conseguir persuadi-lo a satisfazer suas fantasias de adolescente, eu prometo que os dois vo se arrepender
de terem nascido. Voc no o ama, Poppy, no sabe o que  amar verdadeiramente.
         "Tem razo, James, eu no amo Chris", ela concordou, em silncio, ouvindo-o dar partida no carro. "Eu amo voc."
         Quanto ao amor verdadeiro, agora ela sabia o que era dar, mas no sabia ainda o que era receber.
         "O que sugere? O divrcio?" As palavras de James ecoavam sem parar em sua mente. Significavam que ele estava arrependido do casamento? Queria dar um fim
em tudo?

         Incapaz de suportar a solido da prpria casa, Poppy passou o resto da semana com os pais.
         Na segunda-feira de manh, acordou com uma terrvel dor de cabea, talvez por ter passado quase toda a noite chorando. A me sugeriu que ela ficasse em
casa, mas Poppy insistiu em ir trabalhar. L pelo meio-dia, a dor tornou-se to intensa que ela comunicou a Chris sua inteno de ir embora.
         - No pode dirigir assim, Poppy - ele preocupou-se, vendo a palidez de seu rosto. - Deixe que eu a leve. A que horas James vai estar em casa?
         Poppy fez um trejeito, como a dizer que no sabia. Bastava perguntar  secretria, mas seu orgulho no permitia revelar que ignorava as atividades do marido.

         Chris acabara de entrar na estrada principal, quando tudo aconteceu. Ele teve de frear bruscamente para no atropelar um ciclista, e o carro de trs bateu
violentamente na traseira deles.
         Poppy sentiu todo o impacto, embora estivesse presa pelo cinto de segurana. Chorando de susto e temendo pelo beb, sentiu a vista escurecer. Perdeu os
sentidos.
         A primeira coisa que ouviu ao voltar a si foi a sirene de uma ambulncia que se aproximava.
         - No se mexa, Poppy - ela ouviu Chris orientar, quando se agitou no banco do carro.
         Ele sara do veculo e estava em p ao lado dela. Perto dele, outro homem, um estranho, argumentava defensivamente.
         - Foi uma batida leve. O estrago foi pequeno - o homem disse.
         - Ela est grvida - Chris replicou nervosamente. - Por que no prestou mais ateno?
         - Foi culpa do ciclista - o homem defendeu-se.
         - Duvido que a polcia v entender assim - Chris alegou.
         Poppy desejou que eles parassem de falar, ou fossem discutir longe dali. Com dor de cabea, o simples som de suas vozes era insuportvel.
         - James, James, onde voc est?
         Ela no tinha percebido que pensara em voz alta, at que o estranho perguntou:
         - Quem  James?
         - O marido dela - Chris informou. - No quero estar na sua pele, quando ele souber do que aconteceu.
         Poppy estava tremendo, em estado de choque, quando a polcia e a ambulncia chegaram.
         - Sinto muito, querida - o enfermeiro desculpou-se, insistindo em deit-la na maca. -  nosso procedimento. O que aconteceu, exatamente?
         Poppy percebeu que ele franziu as sobrancelhas, quando um policial explicou que o carro fora empurrado vrios metros para a frente.
         - Acho melhor lev-la para um exame mais especfico - o enfermeiro opinou.
         - Eu acompanho voc, Poppy - Chris ofereceu-se. Ela, porm, fez um gesto negativo de cabea.
         - No - recusou. - Eu quero James.

                 Seus olhos encheram-se de lgrimas que ela no pde conter.
                 "No se incomode comigo", quis gritar, quando o enfermeiro perguntou se estava sentindo dor.
                 Sua preocupao era com o beb. A dor aguda que sentira no momento do impacto havia passado, mas o, beb estava muito quieto. Poppy rezava desesperadamente
para que ele fizesse algum movimento.
         O trajeto para o hospital pareceu durar uma eternidade. Poppy viu quando os dois enfermeiros da ambulncia trocaram um olhar preocupado, nas duas vezes
em que se sentiu mal no caminho.
         A enfermeira que a recebeu foi to atenciosa quanto eficiente. Prometeu entrar em contato com seus pais e tranqilizou-a, dizendo que os bebs so muito
mais resistentes do que ela podia imaginar.
                 - Vamos cuidar de voc, primeiro - decidiu. - Tem um "galo" enorme na sua cabea. Di?
         Poppy no percebera ainda que tinha batido a cabea. Levando a mo  fronte, retraiu-se, quando viu os dedos sujos de sangue.
                 Quando os pais chegaram, Poppy j estava no quarto.
                 - Oh, querida, como est se sentindo? - a me perguntou, correndo para o lado da cama.
                 - Comigo, tudo bem - Poppy afirmou. - Estou preocupada com o beb.
                 Percebeu o olhar de ansiedade que os pais trocaram.
                 - Eles dizem para eu no me preocupar - choramingou. - Que preciso descansar. Mas no senti mais o beb chutar. Quero ver James.
         - Chris est fazendo o que pode para localiz-lo, querida - a me tentou acalm-la. - At agora no conseguiu entrar em contato pelo celular.
                 - Se James estiver no carro, no vai atender - Poppy comentou, desanimada. - Diz que  perigoso.
                 A tarde passou num clima de cochichos e conversas longe do alcance de Poppy, deixando-a mais do que ansiosa. O beb ainda no se mexera, e ela estava
com receio de que algo de grave tivesse acontecido com ele. Com "ela", com a filha de James.
         Novas lgrimas inundaram-lhe as faces. Seus pais se ofereceram para fazer-lhe companhia, mas foram dispensados. Era James que ela queria, ningum mais.
         De olhos fechados, murmurou o nome dele, com as mos apoiadas na barriga num gesto de proteo.
         Abriu os olhos rapidamente, quando a porta do quarto abriu-se, mas no foi #'J ames quem entrou.
         - Chris! - ela exclamou, desapontada. - Onde est James? Conseguiu encontr-lo?
         - Ainda no, mas  s uma questo de tempo.
         Ele sorriu, mas Poppy percebeu que tambm estava preocupado. Chris tentou confort-la, acariciando-lhe as mos, mas ela se esquivou.
         - No, Chris, no  voc que eu quero. E James.
         Como ela comeasse a chorar convulsivamente, ele tocou a campainha. A enfermeira atendeu ao chamado rapidamente, e os dois comearam a conversar em voz
baixa. Poppy esforou-se para ouvir o que estavam dizendo.
         - A condio dela  instvel - a enfermeira murmurou. - Estamos preocupados com os batimentos cardacos do beb.
         - Ela quer o marido. Fizemos o possvel para encontr-lo, mas at agora... - Chris fez uma pausa. - Ele j devia estar em casa, a esta hora. S Deus sabe
por onde anda.
         Poppy fechou os olhos. James fora embora. Deixara-a, sem se importar com o fato de ela estar grvida. O beb no estava bem. Se morresse, ela perderia os
dois. Sem eles, o que seria de sua vida?
         - Tenho que ir, agora - Chris dirigiu-se a Poppy. Para ela, era indiferente que ele ficasse ou se fosse.
         Sem James, sentia-se sozinha.
         No demorou muito para uma forte sonolncia domina-la. Sabia que a enfermeira administrara-lhe um sedativo.
         -  para o beb descansar - a mulher explicara, quando ela fizera objees.
         Dormiu. Quando acordou e abriu os olhos, percebeu que a dor de cabea e o mal-estar tinham desaparecido. Sentia apenas o corpo ligeiramente dolorido.
         O quarto estava em penumbra, mas ela viu quando Chris abriu a porta e entrou.
         - Poppy - ele comeou, mas ela olhou para o outro lado.
         - V embora, Chris.
         Quando a porta se fechou atrs dele, ela deixou escapar um soluo.
         - James, onde est voc? Eu te amo tanto! Amo vocs dois - ela murmurou, acariciando a barriga. - James...
         - Estou aqui, Poppy.
         Ouvindo aquela voz querida, ela no conseguiu evitar um tremor de emoo.
         - James! - exclamou, olhando em volta ansiosamente.
         Era como se estivesse com medo de que no fosse verdade.
         - Quando... como... - ela balbuciou, quando viu-o levantar-se de uma cadeira e aproximar-se da cama.
         - Chris deixou uma mensagem na secretria eletrnica l de casa - ele explicou.
         Por um momento, J ames conteve-se, mas logo a emoo venceu o autocontrole.
         - Meu Deus, Poppy, como foi que...
         - No foi culpa de Chris - ela apressou-se em esclarecer. - Foi um acidente.
         Comeou a tremer violentamente, e James segurou-lhe a mo.
         - Est gelada - ele comentou.
         - No se preocupe comigo, James. Nossa menininha... No estou mais sentindo seus chutes. Eles dizem que est tudo bem, mas como pode estar, se ela est
to parada? Estou com medo. Ela ainda  to pequena e vulnervel, e eu a amo tanto!
         - Chris me contou que voc o mandou embora, e que s queria a mim.  verdade?
         -  verdade, sim - Poppy respondeu, levantando a cabea do travesseiro. - Onde voc estava?
         - A caminho da Itlia. Ia para a #villa.
         - O qu? Por qu?
         - Voc no  a nica a alimentar fantasias romnticas, sabe? A diferena entre ns  que eu tive mais experincias.
         - Fantasias? Que tipo de fantasias? - Poppy perguntou, confusa.
         - As mais simples possveis. Um dia, espero que a mulher que amo tambm me ame. Quero que, no escuro da noite, na privacidade de nossa cama, ela diga que
me deseja. Sonho que ela me pea para am-la para sempre.
         Poppy ouviu-o, sentindo-se aflita. James estava apaixonado por outra mulher! Como ela no adivinhara?
         - Quem  essa mulher? - perguntou, abalada. - Eu a conheo?
         - Sim, voc a conhece - James admitiu.
         De repente, indiferente a qualquer outra coisa, Poppy gritou numa exploso de alegria:
         - O beb! Est se mexendo! Oh, James, ela est bem!
         Agarrou-se  mo dele, e lgrimas de felicidade inundaram-lhe o rosto.
         - Poppy, por que voc quis que eu estivesse aqui com voc, e no Chris?
         - Voc  meu marido, James - ela respondeu, sem coragem de fit-lo. - E o pai de meu beb, e...
         - E o qu? - ele pressionou.
         - E porque eu te amo - Poppy confessou finalmente. - Mas sei que voc no me quer. Agora, conheo o verdadeiro amor, no sou mais uma adolescente. Se quiser
que o deixe livre, poder ir para a mulher a quem ama.
         Ela mordeu o lbio inferior, numa tentativa desesperada de refrear a emoo.
                 - J estou com ela, nunca a deixei. Na verdade, ela est aqui - J ames informou calmamente.
                 - Aqui?! - Poppy perguntou indignada, olhando instintivamente para a porta. - Teve coragem de traz-la aqui?
         - Oh, Poppy!
                 A exclamao de James foi acompanhada de um sorriso, enquanto ele se sentava na borda da cama e inclinava-se, abraando-a com ternura.
         - Voc  a nica mulher que eu amo, a nica que sempre amei. Est mesmo to cega que no consegue perceber?
                 - Voc me ama? No  possvel! Parecia estar sempre zangado comigo, e eu...
         - Foi um recurso que encontrei para no sofrer, sabendo que voc s tinha olhos para Chris. Apaixonei-me, quase na mesma poca em que voc se apaixonou
por ele.
         - Mas se realmente me ama, ento por que...
         - Por que, o qu? - James murmurou.
         - Por que agia com tanta frieza comigo, depois que fazamos amor? Pensei que o desgostasse.
         - Oh, Poppy, se soubesse o que significou para mim fazer amor com voc! Quase confessei meu amor, naquela primeira noite, no hotel. Mas voc desejava Chris.
         - Acho que eu j amava voc, sem saber - Poppy considerou. - Acho que j te amava, quando era criana, mas cresci e me enchi de fantasias tolas.
                 - Isso  normal, na adolescncia - James consolou-a.
         - No consigo entender como pude me enganar, pensando que meu sentimento por Chris era amor verdadeiro. Agora, quando penso...
         Ela parou de falar, quando James beijou-a.
         #-James... #-Poppy murmurou, interrompendo o beijo.
         - O que foi?
         - Quero ir para casa. Por favor, faa eles me mandarem embora... com voc.
         - Tem certeza? - ele perguntou, beijando-a novamente.
         Agora que sabia da verdade, Poppy se admirava de no ter percebido antes. O amor que pensara nunca encontrar estivera sempre to perto, materializando-se
em cada toque, em cada olhar.
         No  s atravs de palavras que se reconhece o amor, ela pensou, num sbito rasgo de sabedoria.
                 - Foi horrvel mendigar o amor de Chris - ela declarou.
                 - timo que tenha descoberto isso - James replicou com ar austero, ento riu descontraidamente.
                 - Acha que tudo ficar bem entre ele e Sally? Ela quer ter um beb, e Chris...
                 - Os dois se amam. Encontraro um meio de resolver o problema.
                 A enfermeira ralhou com eles, quando entrou no quarto e viu-os abraados.
         - A paciente precisa descansar - disse em tom severo.
         - Quero ir para casa - Poppy pediu.
         - Bem, no posso decidir - a enfermeira respondeu com ar desaprova dor. - O que sei  que a esta hora voc devia estar dormindo.
         O mdico solicitado por James, entretanto, teve outro ponto de vista. Achou que ela podia ir para casa, contanto que no abusasse das prprias foras por
alguns dias.
         - No se preocupe, doutor - James respondeu. - Ela vai se resguardar, mesmo que eu tenha de ficar na cama tambm.
         - Nada de viagens de negcios, agora - Poppy disse a James, quando, mais tarde, ele a ajudou a entrar no carro.
         - Tudo bem - ele concordou. - De agora em diante, viajar ser tarefa de Chris.
         - Coitada da Sally! - Poppy protestou.
         - No futuro, a nica exigncia que farei, para viajar,  que minha esposa viaje comigo - James informou.
         - Viajarei, com uma condio - ela replicou, sorrindo.
         - E qual ? - ele perguntou.
         - Que o presidente da empresa e sua tradutora possam dividir um quarto de casal... e a mesma cama. Tudo por uma questo de economia, naturalmente - Poppy
brincou.
         James riu e, ao perceber o olhar provocante de Poppy, acrescentou:
         - Precisa repousar, esqueceu?


EPILOGO




  H
#olly #Joy nasceu no dia vinte e um de dezembro, a tempo de passar o Natal com a famlia.
         - Ela  perfeita - James comentou na vspera do Natal, observando Poppy amamentar a filha. - E linda, mas no tanto quanto a me.
         Poppy riu.
         - Houve um tempo em que "perfeita" e "linda" seriam as ltimas palavras que voc usaria para me descrever - lembrou.
         - Acredita que eu queria uma filha s para amar uma miniatura de voc? - ele murmurou.
         Ouvindo aquela confisso, Poppy sentiu lgrimas nos olhos, compreendendo a intensidade com que o marido queria seu amor.
         Ela estava usando o colar de prolas que James lhe dera para celebrar o nascimento da filha. Entre os presentes que haviam chegado para Holly #Joy, havia
uma pulseira de prata, de confeco artesanal, mandada por tia Sally. O modelo exclusivo imitava uma guirlanda de pequenas flores.
         Poppy recebera de Sally tambm um buqu de flores artificiais, que reconhecera prontamente. Tanto tempo parecia ter passado desde que ela pegara o ramalhete,
no casamento da amiga, e no fazia mais do que dez meses!
         "No me pareceu apropriado mandar-lhe isto, quando voc e James casaram-se. No sei por qu", Sally escrevera no carto que acompanhava o buqu. "Mas, agora,
acho bastante apropriado. Duas j foram, falta uma."
         Poppy riu, mostrando o carto a James.
         - Bem, ela conseguiu o que queria, comigo, mas no vai ser to fcil com #Star, que  contra o casamento ou qualquer outro tipo de compromisso. Mas duas
de ns trs, hein? Nada mal.
         - #Humm... - James murmurou, enquanto ela punha Holly no bero. Ento, tomou-a nos braos. - Tenho coisas muito mais interessantes para fazer do que conversar
sobre as manipulaes e supersties de Sally.
         - Por exemplo? - Poppy provocou.
         - Venha c que eu lhe mostro.
         Rindo, ela foi.





       FIM

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Amando o homem errado Penny Jordan

2

